
(Padre Carlos)
A criação da Secretaria Municipal de Esportes (SME), sancionada pela prefeita Ana Sheila Lemos Andrade na tarde da segunda-feira, 12 de maio de 2025, marca um passo simbólico e estrutural de grande importância para o futuro de Vitória da Conquista. O município, que até aqui abrigava o esporte sob o guarda-chuva da Cultura, finalmente reconhece que o esporte não é apêndice cultural, mas eixo estratégico de cidadania, saúde pública, inclusão social e desenvolvimento humano.
Em tempos em que a violência urbana ceifa precocemente sonhos e juventudes, é alentador ouvir da própria prefeita a convicção de que o esporte salva vidas. Essa não é apenas uma frase de efeito político; é uma afirmação respaldada por estudos, por experiências nacionais e internacionais, e sobretudo pela realidade vivida em cada bairro onde uma bola divide com o tráfico a atenção de crianças e adolescentes.
A nomeação de Francisco Estrela Dantas Filho, o popular Chico Estrela, para liderar essa nova pasta tem um quê de justiça poética. Oriundo do próprio esporte, ex-atleta profissional, ex-vereador e agora primeiro secretário de Esportes da cidade, Chico representa a síntese entre a experiência vivida e o compromisso com a causa. Nascido em Indiaroba, mas conquistense de alma e trajetória, Chico tem agora o desafio — e a honra — de construir do zero uma estrutura pública voltada exclusivamente para o desenvolvimento do esporte em suas múltiplas dimensões: educativa, social, competitiva, comunitária e econômica.
É verdade que toda fundação carrega suas limitações. Como lembrou o vice-prefeito Aloísio Alan Costa, o momento é inaugural, ainda carente de recursos, mas rico de esperança. A SME não nasce rica, mas nasce necessária. E talvez nisso resida sua maior força: na urgência incontornável de que Vitória da Conquista abrace o esporte como política pública estruturante.
Os investimentos recentes — como a revitalização do Estádio Murilo Mármore, a criação da Vila Esportiva na Lagoa das Bateias, e a entrega de campos e quadras nas zonas urbana e rural — mostram que há um caminho sendo trilhado. Mas agora, com a criação de uma secretaria exclusiva, esse caminho pode deixar de ser episódico e se tornar contínuo, sistemático, estratégico.
Cabe à SME mais do que organizar torneios ou construir quadras: é missão dela formar uma nova mentalidade, transformar o esporte num instrumento transversal de políticas públicas, conectar juventude, saúde, educação, lazer e até economia — já que o setor esportivo, quando bem gerido, também gera empregos, ativa cadeias produtivas, fomenta turismo e promove a imagem da cidade.
Não se trata apenas de revelar talentos para o futebol ou para as olimpíadas — embora isso também seja legítimo. Trata-se de fazer do esporte uma linguagem comum da cidadania, uma praça simbólica onde crianças, jovens, idosos e pessoas com deficiência possam se encontrar em condições de dignidade, superação e pertencimento.
Que a SME não seja apenas mais uma estrutura burocrática, mas uma ponte viva entre o sonho e a realidade, entre a quadra do bairro e a cidadania plena. E que Chico Estrela seja, de fato, estrela-guia nesse novo tempo, conduzindo com paixão, competência e escuta ativa essa pasta que já nasce histórica.
Vitória da Conquista merece ser, como disse a prefeita, a cidade de todos os esportes. Mas, sobretudo, a cidade onde o esporte é tratado como direito — e não como luxo.




