Política e Resenha

ARTIGO – O Golpe Silencioso Contra o Futebol Nordestino

 

(Padre Carlos)

Eu não me conformo. Sim, não me conformo com o golpe escancarado — mas convenientemente silenciado — contra o futebol nordestino. E mais grave: ninguém fala. É como se a verdade tivesse sido varrida para debaixo do tapete, num pacto de covardia coletiva. Pois bem, hoje resolvi levantar a voz, empunhar a bandeira do bom senso e da justiça e sair em defesa de um homem da terra: um conquistense, um baiano, um brasileiro que ousou enfrentar o sistema. Ednaldo Rodrigues.

Como explicar que um sujeito de Roraima — sim, Roraima! — um estado que, com todo respeito, não tem sequer representatividade nas divisões nacionais, de repente aparece como o novo “imperador” da CBF? Como é que um estado sem time na Série B, na Série C, quiçá na Série D, consegue gerar o novo czar do futebol brasileiro?

Pois fui atrás. E o nome que apareceu foi esse: Zé Cachal. Pai do novo presidente. Quarenta anos comandando a Federação de Futebol de Roraima. Quarenta! E quem é o melhor amigo do Zé Cachal? Ninguém menos que Romero Jucá. Sim, aquele Romero Jucá: o senador que foi líder dos governos Sarney, FHC, Lula, Dilma… um camaleão de toga e paletó.

E quando se trata de tramoia política, a simbiose é perfeita. O interventor que presidiu a eleição na CBF? Fernando Sarney, filho de José Sarney. A velha política, como sempre, plantando suas sementes em solo fértil — fértil em silêncio, conivência e cumplicidade.

Ednaldo Rodrigues, baiano, enfrentou essa máquina. Foi à Justiça, foi expulso, voltou com liminar, lutou. Foi tragado, sim. Mas resistiu. E quem o apoiava? Rui Costa, ministro da Casa Civil. Jacques Wagner, senador pelo PT. Dois nomes fortes da Bahia. Mas nem isso foi suficiente para derrotar a engrenagem podre da CBF, onde quem manda de verdade são os sobrenomes: Sarney, Sveiter, Jucá.

Hoje, o senhor Ednaldo virou alvo, foi varrido do tabuleiro. Mas não foi sozinho. Foi junto com ele a esperança de um Brasil que pudesse ver um nordestino no comando do futebol mais amado do planeta. Quem preside? Formalmente, um tal de Ednaldo. Na prática? Os bastidores pertencem aos mesmos de sempre. Os de sobrenome influente. Os que, há décadas, sugam o futebol como parasitas da paixão nacional.

Essa vergonha tem nome: CBF. E enquanto o povo assiste calado, o Nordeste perde mais uma. E ninguém diz nada. Pois eu digo.