Política e Resenha

Sentimento de Pertencimento e Responsabilidade com o Espaço Público

 

(Padre Carlos)

A recente requalificação do Parque Municipal da Lagoa das Bateias reacende um debate antigo, mas essencial: o cuidado com o que é de todos. Mais do que uma intervenção estrutural, trata-se de um chamado à consciência coletiva. É preciso cultivar, entre nós, o sentimento de pertencimento aos equipamentos públicos. Um campo de futebol society, uma praça, uma quadra, uma pista de caminhada – tudo isso é patrimônio do povo e, por isso mesmo, requer zelo, manutenção e, acima de tudo, corresponsabilidade.

Infelizmente, ainda somos herdeiros de uma cultura que trata o que é público como se fosse de ninguém. Vandalizamos, abandonamos, e, pior, esperamos que o poder público dê conta sozinho de tudo – mesmo quando os recursos são escassos e a demanda social é crescente. Não há gestão pública eficiente sem o apoio consciente da sociedade. Não há política pública sustentável sem a valorização do que é construído com dinheiro do povo.

Neste contexto, a proposta da Secretaria Municipal de Esportes de Vitória da Conquista, liderada por Chico Estrela, merece atenção e reconhecimento. Ao sugerir uma pequena contribuição dos usuários do campo para garantir sua manutenção, a gestão toca em um ponto sensível, porém necessário: a responsabilidade coletiva. Chico tem razão quando afirma que “é lógico que o patrimônio é público, mas a gente precisa dar manutenção”. A frase, embora simples, traduz uma visão madura de gestão e cidadania.

O desgaste constante de gramados sintéticos, refletores queimados, e estruturas danificadas mostra que não basta inaugurar ou reformar: é preciso manter. E manutenção custa. Se cada grupo de atletas que usufrui regularmente do espaço contribuir com um valor simbólico, como sugerido, cria-se não apenas uma fonte de receita, mas uma cultura de corresponsabilidade. Mais do que pagar, trata-se de participar da preservação.

Parabéns, Chico Estrela, por conduzir essa secretaria com coragem e lucidez. Ao provocar esse debate, você nos obriga a sair da zona de conforto e a refletir sobre o que, de fato, significa o acesso democrático ao esporte e ao lazer. Não é impedir o povo de usar o que é seu, mas sim garantir que continue sendo seu por muitos anos.

Que o Ministério Público, agora instado a se pronunciar sobre a proposta, leve em conta não apenas a letra fria da lei, mas também o espírito da cidadania ativa. Porque acesso sem cuidado é abandono. E patrimônio público sem pertencimento é ruína anunciada.

Vitória da Conquista precisa, mais do que nunca, de uma gestão pública que convoque seus cidadãos à corresponsabilidade. E isso começa com pequenas atitudes que, somadas, constroem uma cidade melhor para todos.