
(Padre Carlos)
O tabuleiro eleitoral da Bahia está sendo montado com peças bem conhecidas, mas numa configuração nova, incerta e disputada lance a lance. A próxima eleição para governador já não conta com os mesmos elementos que definiram o último pleito — e isso muda tudo. Jerônimo Rodrigues (PT), atual governador, sabe que sem o “efeito Lula” não nadará de braçada como em 2022. O carisma do presidente foi, à época, a âncora e o motor de sua vitória. Hoje, embora ainda relevante, essa força já não tem o mesmo impacto automático nas urnas baianas.
Do outro lado, ACM Neto (União Brasil), o mais competitivo nome da oposição, enfrenta seu próprio calvário: perdeu apoios estratégicos para a cooptação habilidosa do PT, que opera como uma máquina bem azeitada, entregando obras, empregos e alianças. O cenário é de tensão máxima. As margens de manobra são estreitas, e cada gesto político importa.
A visita simultânea dos dois pré-candidatos a Vitória da Conquista, nesta sexta-feira (6), é mais do que mera coincidência. É um ato simbólico e tático. Estamos assistindo a uma prévia do que será uma campanha voto a voto, região por região. O palanque foi armado na terceira maior cidade da Bahia, com o cenário montado como um teatro de afirmação de poder, entrega de resultados e conquista de corações e mentes.
Jerônimo chega com um pacote recheado: inaugura UTI com 20 leitos, um novo Centro de Diagnóstico por Imagem, estrutura policial renovada com 50 viaturas e reforço no Hospital Esaú Matos. Um festival de entregas públicas, com o propósito claro de mostrar obra, ação e governo. É a máquina em movimento — e no máximo da sua capacidade.
ACM Neto, por sua vez, vem com outro trunfo: a parceria com a prefeita Sheila Lemos, que o recebe com protagonismo e boas notícias para mostrar. Em seu roteiro, constam obras estruturantes como a extensão da Avenida Perimetral, a entrega de um Centro de Treinamento de Professores e a vistoria da primeira UPA municipal da Zona Oeste, além de praças e espaços de lazer. Tudo com recursos próprios — uma mensagem clara de independência e competência administrativa.
Conquista virou arena. E quem vence aqui, tende a criar tração política para o restante do interior. Não à toa, ambos os grupos escolheram o mesmo dia para marcar posição na cidade. É o prenúncio de uma eleição diferente, onde a velha polarização pode dar lugar à fragmentação de apoios e a uma corrida muito mais apertada.
A política baiana já não é mais tão previsível. A base petista segue forte, mas enfrenta desgaste após décadas de hegemonia. Já a oposição liderada por ACM Neto tenta se reerguer, mesmo sem mandato, apostando em sua imagem consolidada, experiência de gestão e no poder de alianças com lideranças municipais.
Se há algo certo neste momento, é que a disputa será feroz. A eleição de 2026 começa agora, e Vitória da Conquista acaba de virar palco central dessa nova batalha pelo futuro da Bahia.
(Padre Carlos)




