
(Padre Carlos)
Há momentos na história em que a política abandona o campo seco das estratégias e ganha a densidade da poesia. O discurso da prefeita de Paris, Anne Hidalgo, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi um desses raros instantes em que o tempo para, e o mundo inteiro assiste ao milagre da verdade sendo proclamada com coragem, emoção e humanidade.
Não foi apenas uma fala protocolar. Não se tratou de um elogio polido como os que se acumulam em eventos diplomáticos. Anne Hidalgo olhou nos olhos de um homem que carregou o peso da injustiça, da humilhação, da prisão e da calúnia — e lhe devolveu, em palavras, o lugar que ele conquistou com suor, lágrimas e fé: o de símbolo universal da esperança.
“Senhor presidente, o senhor é a encarnação da esperança.“
Nessa frase, a prefeita de Paris cravou no coração da história algo que nenhum algoritmo poderá apagar. Ela falou para o mundo — mas, sobretudo, falou para os invisíveis, para os que esperam por justiça, por pão, por dignidade. Porque Lula, antes de ser presidente, é um sobrevivente. E antes de ser um político, é um homem que escolheu não ceder ao ódio, mesmo quando a cela parecia não ter janelas.
Ao rememorar o cárcere de Curitiba e a resistência moral do então prisioneiro político, Hidalgo não se limitou à compaixão — ela nomeou o milagre civilizatório que é o amor. O amor de Janja, que comparecia diariamente ao presídio e que foi farol quando tudo era breu. O amor como força política, como ato revolucionário. Porque, como bem disse a prefeita, foi essa chama íntima e invencível que impediu que Lula se rendesse.
A cidade de Paris, capital dos direitos humanos, ao conceder-lhe em 2020 a cidadania de honra — título raríssimo — fez mais que um gesto simbólico: ela acendeu uma vela no escuro do mundo, sinalizando que a verdade não morre mesmo quando enterrada sob toneladas de mentiras. Hoje, essa mesma Paris, com a Torre Eiffel iluminada com as cores do Brasil, grita ao mundo que Lula voltou. Mas não voltou só: voltou com o povo que o elegeu. Voltou com a dignidade de milhões que o reconhecem não apenas como presidente, mas como farol.
Anne Hidalgo falou com a alma de quem entende que o Sul Global não pode mais ser refém da fome enquanto o Norte empanturra os algoritmos com lucros. Ela saudou Lula como o homem que ainda acredita que a política pode ser instrumento de justiça — e não palco de cinismo.
Quando ela diz que “o senhor transmite uma mensagem de paz quando tantas guerras todos os dias trazem mortes e sofrimento”, não é apenas um louvor: é um chamado. Um apelo para que o mundo ouça a voz dos que lutam, não com armas, mas com ideias. Dos que protegem a Amazônia, não como símbolo exótico, mas como berço da vida. Dos que não se curvam nem ao capital, nem às redes, nem aos algoritmos — mas permanecem de pé, guiados apenas pelo sopro da consciência.
O discurso de Anne Hidalgo não foi apenas um tributo a Lula. Foi um recado ao planeta: a esperança ainda tem rosto, nome e pátria. E, hoje, esse nome é Lula. Esse rosto é o do operário que chegou à presidência. Essa pátria é o Brasil que teima em não se ajoelhar diante da injustiça.
E quando Paris declara seu amor a Brasília, à sua gente e ao seu líder, o que se ergue não é apenas a Torre Eiffel. É a humanidade dizendo, com todas as letras: a esperança venceu.
Eu quero falar aqui da sua capacidade excepcional de enfrentar a adversidade, de superá-la. O Senhor pôs ao serviço dos outros a sua força vital, todo o seu ser. Senhor presidente, o Senhor é a encarnação da esperança. A esperança que ainda brilha quando tudo parece estar perdido.
A esperança que resistir em pleno caos, a esperança que continua a resistir quando todas as saídas Quando o Jair Bolsonaro e os seus amigos atirar o senhor na cadeia, utilizando todas essas mentiras, as manipulações, ignorando o estado de direito manipulando uma inversão dos valores, com palavras, não sei, porque milagre os corruptos acusam os políticos honestos honestos de corruptos E o senhor, o senhor resistiu.
Foi a força da sua alma, foi o amor da Janja que vinha todos os dias em frente do presídio onde o senhor se encontrava e junto a ela o senhor essa convicção tão sólida para conservar a força de lutar e a esperança.
E foi nesse momento que Paris, a capital dos direitos humanos, lhe conferiu a cidadania de honra. Querido Lula, o senhor vem aqui como cidadão de honra da cidade de Paris.
Eu sei que esse gesto foi importante porque era o reconhecimento da cidade de luz, reconhecimento dessa esperança encarnado pelo Senhor. E 5 anos depois o senhor volta a ser presidente do seu imenso país. É uma lição universal, política e humanista.
Essa lição que vem do Senhor é que nunca devemos nunca devemos perder esperança no mundo mais justo, onde as forças democráticas e sociais poderão corrigir as desigualdades de nascimento e os acidentes da vida, em vez de confirmar essas desigualdades. O senhor é um homem de paz, o senhor transmite uma mensagem de paz quando tantas guerras todos os dias trazem mortes e sofrimento.
A esperança também que o senhor representa é que no meio da Amazônia os estados conseguem até que, enfim, respeitar os seres vivos e não sacrificar tudo para a economia. A esperança que todos os anos, homens, mulheres, crianças possam sair da pobreza e não sofram mais com a fome.
A esperança que homens e mulheres possam ser eleitos e reeleitos, homens e mulheres políticos que, como o Senhor falam um discurso de verdade e não abandonam nem o pingo do seu poder de decisão para a demagogia e tem e a tentação de ceder perante os mais poderosos ou os algoritmos, só para conquistar os seus favores.
E o a esperança finalmente que o Norte e o Sul encontrem o caminho de uma governança mundial que permita erradicar a fome, proteger os mais fracos e dar um acesso a todos aos serviços essenciais. Querido presidente Lula, querido cidadão de honra da cidade de Paris, esta é a declaração que eu queria fazer.
É uma declaração de amor de Paris para Brasília, para o Brasil, da prefeita de Paris ao presidente do Brasil, cujas cores vão iluminar hoje o nosso belo símbolo a Torre Eiffel.
Como o senhor pode constatar, senhor presidente, Paris com a AMA




