
(Padre Carlos)
ACM Neto voltou ao topo das pesquisas eleitorais na Bahia. Segundo levantamento do Instituto Paraná Pesquisas, divulgado em 31 de julho de 2025, o ex-prefeito de Salvador lidera com ampla margem os cenários testados para a disputa ao governo do estado em 2026. No primeiro cenário, Neto aparece com 53,5% das intenções de voto, seguido por Jerônimo Rodrigues (PT) com 28,1%, João Roma (PL) com 6,1%, e Kléber Rosa (PSOL) com 1,3%. Votos brancos, nulos ou nenhum somam 6,4%, e indecisos representam 4,6%. Em outro cenário, substituindo Jerônimo por Rui Costa (PT), os números praticamente se repetem: Neto com 53,3%, Rui com 28%, Roma com 6,2% e Rosa com 1,4%.
Num eventual segundo turno entre ACM Neto e Jerônimo Rodrigues, os números também favorecem o ex-prefeito: 59,4% contra 30,8% do atual governador. Tudo parece promissor. Mas a Bahia já assistiu a esse filme em 2022, quando Neto liderava as pesquisas até a reta final e foi surpreendido pela virada petista. Jerônimo Rodrigues venceu com 52,79% dos votos válidos, contra 47,21% de Neto. A diferença foi estreita, mas suficiente para expor um erro estratégico: confiar demais nas pesquisas e subestimar a força do “lulismo” no interior do estado.
A pergunta que paira no ar não é se ACM Neto pode vencer — as pesquisas já dizem que sim —, mas se ele aprendeu com a derrota passada. Há uma máxima na política baiana: quem não respeita o eleitor do interior, perde. Em 2022, Neto foi um candidato de marketing moderno, forte em Salvador, bem posicionado entre empresários e jovens urbanos. Mas falhou em estabelecer uma conexão emocional com os rincões do sertão baiano, onde o carisma de Lula é traduzido em voto direto, muitas vezes independente do candidato local.
Além disso, ACM Neto precisa lidar com um cenário nacional que continua favorável ao presidente Lula. A economia dá sinais de melhora, o Brasil saiu novamente do Mapa da Fome segundo a ONU, e o discurso de reconstrução nacional ganha espaço entre os mais pobres. Ignorar essa maré seria suicídio político. Para vencer, Neto precisa se reinventar: falar com o coração, ir além do tecnocrata eficiente e se tornar o líder com empatia que os baianos, sobretudo do interior, esperam.
Outro desafio está no campo simbólico: como se apresentar como oposição sem ser automaticamente confundido com o bolsonarismo — rejeitado por amplas camadas da população baiana — e, ao mesmo tempo, sem perder apoio da direita? João Roma, o candidato do PL, aparece com números modestos, mas pode tirar preciosos pontos de Neto num cenário polarizado.
Por fim, há a questão interna de seu próprio partido, o União Brasil, que vive uma disputa por identidade no plano nacional e pode enfraquecer candidaturas que não estejam em plena sintonia com o grupo dirigente. A força de ACM Neto dentro da sigla é indiscutível na Bahia, mas isso não garante blindagem contra tensões federais.
Em resumo, ACM Neto tem nas mãos uma nova chance — talvez a última — de consolidar seu projeto político estadual. Os dados da pesquisa mostram uma vantagem clara. Mas a história recente recomenda cautela. Liderar é importante, mas convencer o povo — especialmente o povo esquecido — é o que decide eleições. Se quiser transformar números em votos, Neto terá que escutar mais, andar mais e, acima de tudo, falar a língua do povo da Bahia.




