Política e Resenha

ARTIGO – Otto Alencar: A Lealdade Que Resiste às Tempestades

 

 

(Padre Carlos)

Na política, poucos valores são tão testados quanto a lealdade. Quando as luzes se apagam e os aliados desaparecem, resta apenas o caráter de quem decide permanecer. O Senador Otto Alencar é um exemplo vivo dessa virtude rara: foi leal a Antônio Carlos Magalhães quando muitos preferiram virar as costas, acreditando que sua trajetória havia chegado ao fim.

O episódio da renúncia de ACM ao Senado é um marco doloroso da história política brasileira. Numa noite em Brasília, diante da dura carta de renúncia, muitos se afastaram, acreditando que a carreira do líder baiano estava destruída. Mas Otto permaneceu. Não apenas permaneceu — colocou-se ao lado de ACM na hora mais amarga, quando qualquer aproximação parecia custar caro. Essa decisão não foi cálculo eleitoral, foi coragem e caráter.

Em 2002, quando poucos acreditavam em ACM, Otto Alencar assumiu o governo da Bahia para garantir a transição e sustentar o grupo político que parecia em ruínas. E fez isso sem abandonar sua identidade partidária: permaneceu no PL, sem se curvar à pressão de trocar de legenda, mas cumprindo com dignidade e lealdade o compromisso que havia firmado com ACM.

Esse gesto revela a essência de um líder que sabe diferenciar conveniência de compromisso. Otto Alencar mostrou que a política não se faz apenas com votos e alianças superficiais, mas com confiança construída na adversidade. Ser amigo, ser aliado, é justamente estar presente quando todos desaparecem.

O Brasil carece de políticos com essa têmpera: gente que entenda que coragem na política significa assumir riscos pelo que acredita; que caráter político não é moeda de troca, mas patrimônio inegociável. Otto, ao escolher a fidelidade em um momento de crise, deixou claro que ética pública e compromisso pessoal podem andar juntos.

Essa postura o diferencia e explica por que Otto Alencar é hoje reconhecido como um dos poucos políticos capazes de atravessar décadas mantendo o respeito da sociedade. Pois, no fim, é na hora da queda que se mede a grandeza de um homem público.