Política e Resenha

ARTIGO – Quinho e o Vácuo da Política Regional

 

 

(Padre Carlos)

Na física, como se sabe, não existe vácuo. Na política, a lógica é a mesma: onde há ausência de representação, logo alguém percebe o espaço e se dispõe a ocupá-lo. Foi exatamente isso que fez Quinho, ex-prefeito de Belo Campo e hoje um dos nomes mais influentes do PSD no sudoeste baiano.

Em entrevista recente, deixou claro que não está fora do jogo. Pelo contrário, está atento, lendo o tabuleiro e já se preparando para 2026. Não por vaidade ou sede de poder, mas porque compreendeu uma obviedade que muitos ainda fingem não enxergar: a política importa – e muito.

Do preço do açúcar ao valor do combustível, da qualidade da universidade ao posto de saúde do bairro, tudo passa pelas decisões políticas. Fingir que é diferente é ceder à ilusão perigosa de que nossa vida não depende das canetas, dos votos e dos diálogos que circulam nos corredores do poder.

Quinho, ao declarar “eu sou político e tenho orgulho de ser político”, resgata uma dimensão quase esquecida da política: a de missão. Missão de servir, missão de transformar, missão de dar dignidade à população. Ele se coloca não como figura de gabinete, mas como alguém que encara a política como entrega diária.

Esse discurso pode soar utópico a ouvidos céticos, mas ganha consistência quando lembramos sua trajetória: prefeito respeitado, liderança na UPB, figura que sabe que construir políticas públicas é tarefa árdua, mas possível, quando há obstinação.

E obstinação parece ser a palavra que o move: obstinação por justiça social, por saúde digna, por educação de qualidade, por oportunidades reais. Obstinação que não se confunde com teimosia, mas que se traduz em projeto de futuro.

O vácuo político existe na região. Deputados sem expressão, prefeitos que se fecham em disputas locais, ausência de voz forte em Salvador e Brasília. É nesse vazio que Quinho se apresenta, não apenas como candidato em potencial, mas como símbolo de que a política, feita com seriedade, ainda pode ser o caminho da transformação.

A entrevista foi mais do que um gesto de lembrança. Foi um recado. Um recado aos adversários, aos aliados e, sobretudo, ao povo: ninguém pode se dar ao luxo de desprezar a política. Porque, se o povo se afasta dela, outros sempre ocuparão esse espaço – e nem sempre com boas intenções.

Em 2026, o jogo estará aberto. O tabuleiro precisa de peças fortes, e a região não pode continuar ausente. Quinho entendeu isso. Resta saber se os eleitores também entenderão.