
(Padre Carlos)
Vitória da Conquista amanheceu neste sábado (1º) vestida de fé, tradição e emoção. Aos pés do Cristo Crucificado, no alto da Serra do Periperi, o sertão baiano se encontrou com sua alma mais profunda: a alma do vaqueiro, do homem e da mulher que guardam, com mãos calejadas e coração valente, a memória viva de um povo que nunca se dobra diante da seca ou do tempo. A 1ª Missa do Vaqueiro da Joia do Sertão Baiano não foi apenas um evento religioso — foi uma celebração da identidade conquistense, um reencontro do povo com suas origens.
A paisagem do monumento criado por Mário Cravo, símbolo da fé e da resistência, foi transformada em um imenso santuário a céu aberto. Ali, entre o brilho dos chapéus de couro e o relinchar dos cavalos, fé e cultura se deram as mãos em um espetáculo de autenticidade e pertencimento. O cheiro da terra misturado ao incenso, os cantos de devoção ecoando na serra, e o olhar dos vaqueiros fitando o Cristo: tudo parecia compor uma liturgia que falava diretamente à alma nordestina.
A iniciativa do vereador Luiz Carlos Dudé não apenas resgatou uma tradição que há tempos pedia espaço no coração da cidade, mas também reafirmou que a política, quando se reveste de sentido comunitário, é capaz de gerar frutos de comunhão e identidade. Dudé lembrou, com justeza, que o vaqueiro é mais do que uma figura folclórica — é o símbolo da força, da fé e da coragem que sustentam o sertão. Celebrar o vaqueiro é celebrar o homem simples, o trabalhador do campo, o guardião da cultura e da economia que moldaram o Nordeste.
Mas houve um instante que transcendeu o protocolo e tocou a emoção: o momento em que a vereadora e médica Dra. Lara Fernandes entregou, com ternura e reverência, a imagem de Nossa Senhora Aparecida. A cena, envolta em aplausos e lágrimas, tornou-se um gesto de unidade entre o sagrado e o humano, entre o poder público e o povo de fé. Dra. Lara, conhecida pelo seu trabalho com as famílias mais vulneráveis, lembrou que “a fé é o que nos move”. Suas palavras ecoaram como um hino de esperança, lembrando que nenhuma política pública tem sentido se não estiver acompanhada de compaixão e propósito.
A Missa do Vaqueiro foi mais do que um rito. Foi uma resposta a uma necessidade espiritual e cultural: a de reencontrar-se com o que realmente importa. Em tempos de divisões e desencontros, ver o povo reunido, orando sob o mesmo céu, foi um lembrete de que a fé ainda é o cimento invisível que sustenta o sertão e mantém viva a chama de Vitória da Conquista.
Que este seja o primeiro de muitos encontros. Que o Cristo Crucificado continue abençoando nossos vaqueiros e amazonas, e que o som dos aboios ecoe, por muitos anos, como uma prece do povo que nunca deixa de acreditar.




