Política e Resenha

O PAPA SOB ATAQUE: QUEM QUER SILENCIAR ESTA VOZ?

 

Pòr Padre Carlos

Há um silêncio que incomoda mais do que o grito. Um silêncio cúmplice, denso, quase litúrgico — desses que ecoam nas paredes frias de sacristias esquecidas pelo tempo. É nesse ambiente abafado, impregnado de naftalina e medo, que ressurgem vozes que agora ousam atacar o Papa Leão.

Não é novidade. A história recente da Igreja Católica já assistiu ao mesmo espetáculo quando o Papa Francisco decidiu abrir janelas, arejar corredores e lembrar ao mundo que o Evangelho não combina com mofo. Foi atacado, ridicularizado e, muitas vezes, julgado por aqueles que se escondem atrás de uma fé seletiva — rígida para os outros, conveniente para si.

Agora, repete-se o roteiro.

O Papa Leão torna-se alvo de setores conservadores e políticos que, por muito tempo, permaneceram confortavelmente escondidos nas sombras da sacristia. De lá, observavam o mundo sem se comprometer com ele. De lá, julgavam sem tocar a dor humana. De lá, cultivavam uma religião que mais separa do que une.

O problema não é a tradição. A Igreja vive da tradição. O problema é quando a tradição vira trincheira ideológica. Quando a fé deixa de ser ponte e passa a ser muro. Quando o discurso religioso se torna ferramenta política — e não expressão do amor cristão.

Há algo profundamente contraditório nisso tudo: aqueles que mais falam em defender a Igreja são, muitas vezes, os primeiros a ferir sua unidade. Esquecem que a Igreja Católica não é um campo de batalha ideológico, mas uma comunidade de comunhão. Não é propriedade de grupos, mas casa de todos.

Onde estão, então, os freis, freiras, padres e leigos midiáticos? Onde estão as vozes que deveriam ecoar em defesa da unidade, da comunhão com o Papa, da fidelidade ao espírito do Evangelho? O silêncio, mais uma vez, revela muito.

Talvez porque defender o Papa hoje não renda curtidas. Talvez porque a coragem evangélica não combine com algoritmos. Ou talvez porque seja mais fácil permanecer no conforto das certezas antigas do que enfrentar o desconforto da renovação.

Mas a Igreja nunca foi feita de comodidade.

A crise atual não é apenas uma disputa interna. É um reflexo de algo maior: a tentativa de capturar a fé para projetos de poder. E quando a fé se submete à política, perde-se sua essência. O Cristo que caminhava entre os pobres não cabe em palanques.

O Papa Leão, assim como Francisco antes dele, não está sendo atacado apenas por suas ideias. Está sendo atacado porque representa movimento, mudança, vida. E tudo que é vivo incomoda aquilo que já se acostumou à imobilidade.

No fim, a pergunta permanece no ar, como um incenso que não se dissipa: a quem serve esse conservadorismo que tanto grita? À Igreja ou ao medo de perder espaço dentro dela?

Porque fé de verdade não tem cheiro de naftalina.

Tem cheiro de povo.