
(Padre Carlos)
A pré-candidatura do advogado Wagner Alves Silva não surge como um movimento isolado, tampouco como um capricho pessoal ou familiar. Ela nasce, cresce e ganha musculatura política como expressão legítima de um projeto coletivo, articulado, reconhecível e liderado pelo grupo político que hoje governa Vitória da Conquista. Fingir que essa pré-candidatura não é a candidatura do grupo é, no mínimo, um erro de leitura política; no máximo, um gesto de deslealdade estratégica.
Em política, projetos não se sustentam apenas com discursos bonitos ou com a soma aritmética de apoios formais. Projetos se consolidam quando vereadores, lideranças comunitárias, quadros técnicos e militantes compreendem que suas trajetórias individuais estão ligadas a um destino comum. Uma coisa está, inevitavelmente, ligada à outra. Não existe candidatura forte sem grupo coeso, nem grupo forte sem candidatura claramente assumida.
É aqui que a direita local insiste em tropeçar na mesma pedra. Enquanto a esquerda historicamente compreende que pulverizar votos é suicídio eleitoral — ou é um deputado, ou é outro, mas nunca todos ao mesmo tempo —, a direita frequentemente se perde no personalismo. Cada liderança quer ter o seu próprio candidato, sua própria vitrine, seu próprio projeto particular. O resultado é previsível: fragmentação, enfraquecimento político e derrota eleitoral.
A pré-candidatura de Wagner Alves representa, goste-se ou não, a tentativa de romper com essa lógica autofágica. Ela aponta para a necessidade de disciplina política, de entendimento estratégico e de compromisso com um projeto maior que vaidades pessoais. Quando vereadores e lideranças fingem neutralidade ou relativizam essa realidade, não estão sendo independentes; estão sendo politicamente inconsequentes.
Nesse contexto, a declaração de uma vereadora de que seu marido “não poderia rachar” como candidato do projeto revela uma profunda confusão conceitual. Ninguém é obrigado a permanecer em um projeto político no qual não acredita ou do qual não se sente parte. Política não é cárcere, é escolha. O erro não está em sair; o erro está em querer usufruir do projeto apenas quando ele é conveniente, e rejeitá-lo quando exige coerência, renúncia e compromisso.
Talvez este seja um dos grandes problemas da direita em Vitória da Conquista: o projeto só serve quando me serve. Quando beneficia meu grupo, minha família, minha ambição imediata. Fora disso, passa a ser tratado como imposição, autoritarismo ou racha. Não é. É apenas política levada a sério.
Se Wagner Alves é, como os fatos indicam, a pré-candidatura do grupo, isso precisa ser dito com clareza e assumido sem subterfúgios. Quem está dentro, caminha junto. Quem não se reconhece nesse caminho, tem todo o direito de seguir outro rumo — mas não pode exigir que o projeto se adapte às suas conveniências pessoais.
Em tempos de eleições 2026, coerência política, unidade partidária, estratégia eleitoral e responsabilidade com o eleitorado não são virtudes opcionais. São condições mínimas para quem deseja governar, representar e transformar a realidade. Fora disso, restará apenas o velho roteiro conhecido: muitos candidatos, muitos discursos… e poucos votos relevantes.




