Política e Resenha

ARTIGO – Fabrício Falcão e o Jogo Silencioso do Poder em Vitória da Conquista

 

(Padre Carlos)

Poucos analistas políticos, mesmo entre os mais atentos ao tabuleiro baiano, têm percebido a musculatura política que o deputado Fabrício Falcão vem construindo de forma silenciosa, porém consistente, no sudoeste da Bahia, especialmente em Vitória da Conquista. Enquanto muitos se deixam levar pelo barulho superficial das redes sociais e pelas narrativas fáceis, Fabrício trabalha no terreno real da política: alianças, diálogo e presença concreta nos territórios.

O velho comunista — expressão que aqui não carrega ironia, mas densidade histórica — compreendeu algo que muitos de seus pares ainda resistem a aceitar: a política contemporânea exige transversalidade. Fabrício rompeu, na prática, as bolhas ideológicas rígidas e passou a dialogar com setores da direita liberal, do centro, do centro-direita e, evidentemente, da esquerda. Não por incoerência, mas por leitura estratégica do tempo presente. Em Vitória da Conquista, quem não dialoga, não governa.

Deputado experiente, Fabrício Falcão demonstra ambição legítima. Seu horizonte é claro e limitado a duas possibilidades reais: a Prefeitura de Vitória da Conquista ou uma candidatura a deputado federal. Não há espaço para improviso nem para projetos menores. O cenário interno do seu partido e da federação o empurrou para essa encruzilhada. Com candidaturas já mantidas para Planalto e sem qualquer vácuo real a ser ocupado no campo tradicional da esquerda, Fabrício percebeu que insistir no mesmo roteiro seria politicamente suicida.

O fraco desempenho do deputado Waldenor Pereira nas últimas eleições municipais funcionou como um divisor de águas. A derrota acachapante para a prefeita Sheila Lemos não foi apenas uma derrota eleitoral; foi simbólica. Criou-se em Vitória da Conquista uma sensação difusa, porém crescente, de esgotamento de um ciclo. O velho professor, respeitado por sua história, acabou personificando o cansaço de um modelo que já não empolga nem mobiliza. A cidade gritou por renovação, mesmo que muitos ainda finjam não ouvir.

É nesse vácuo emocional e político que Fabrício Falcão se movimenta. Seu diferencial não está apenas na capacidade de articulação, mas no diálogo real com forças diversas. Ele compreendeu que, numa federação onde PT, PCdoB e outros partidos disputam espaço, não haverá lugar cativo para ninguém. A vaga de cabeça de chapa não será concedida por tradição, mas disputada no voto, na rua e na capacidade de aglutinação política.

A fraca votação recente do PT em Vitória da Conquista enfraqueceu o discurso da insubstituibilidade. Pela primeira vez em muito tempo, essa condição está em aberto. Quem tiver mais votos na cidade poderá, com legitimidade, reivindicar a liderança do projeto. Se Fabrício Falcão superar os quadros petistas no desempenho eleitoral, a disputa interna na federação será intensa, dura e inevitável.

Para Fabrício, não se trata apenas de ambição pessoal. Trata-se de sobrevivência política. Ou ele dá o salto agora, reposicionando-se como protagonista do novo ciclo político conquistense, ou corre o risco de ficar aprisionado a um modelo em declínio. A política não perdoa hesitações prolongadas. Vitória da Conquista será, mais uma vez, o palco onde projetos se afirmam ou se encerram.

Enquanto muitos ainda analisam o passado, Fabrício Falcão já opera no futuro. E, como sempre acontece na política, quem chega primeiro ao futuro costuma escrever as regras do jogo.