
Padre Carlos
A estratégia do PCdoB para as eleições de outubro na Bahia revela mais do que uma simples ambição numérica. Ao estabelecer como meta a ampliação de sua bancada na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa da Bahia, o partido sinaliza que não pretende ocupar um papel secundário dentro da Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV. Trata-se de uma disputa silenciosa, porém decisiva, pela correlação de forças no interior do campo progressista baiano.
A informação obtida pelo Política e Resenha, em conversas recentes com dirigentes e quadros do partido, confirma que o PCdoB trabalha com um objetivo ousado: eleger três deputados federais, mesmo num cenário em que os votos precisam ser compartilhados com aliados históricos. A federação, que garante unidade institucional, também impõe um dilema prático: como crescer sem enfraquecer o conjunto? E, sobretudo, como crescer quando o PT segue sendo a força hegemônica da esquerda na Bahia?
A aposta passa pela manutenção de dois nomes consolidados — Alice Portugal e Daniel Almeida — e pela entrada de Olívia Santana na disputa por uma vaga em Brasília. A candidatura de Olívia não é apenas eleitoral; é simbólica. Representa a tentativa do PCdoB de renovar sua imagem, ampliar seu diálogo com setores populares, culturais e identitários, e marcar presença em um Congresso Nacional cada vez mais hostil às pautas sociais e democráticas.
O desafio é evidente. A federação exige cálculo fino, engenharia eleitoral precisa e maturidade política. A divisão de votos, se mal administrada, pode resultar em perdas coletivas. Mas o PCdoB parece disposto a correr o risco, apostando que a ampliação de sua bancada fortalecerá o próprio projeto da esquerda baiana e dará mais equilíbrio interno à federação.
No tabuleiro eleitoral de outubro, com mais de 11 milhões de eleitores indo às urnas para escolher governador, dois senadores, 63 deputados estaduais e 39 federais, cada movimento conta. O crescimento do PCdoB não interessa apenas ao partido, mas redefine o jogo interno da Federação Brasil da Esperança e influencia diretamente a governabilidade futura na Bahia e no Brasil.
No fundo, o que está em disputa não é apenas o número de cadeiras, mas o protagonismo político. O PCdoB quer mostrar que, mesmo em tempos de federação e alianças amplas, ainda é capaz de formular estratégia, disputar espaço e influenciar os rumos da esquerda brasileira. Outubro dirá se a ousadia será premiada ou se os limites da federação falarão mais alto.




