
(Padre Carlos)
Se há um político na Bahia que merece consideração e respeito pela forma como conduz as relações partidárias, esse é o senador Otto Alencar. Ao longo de todo o processo em que o PT decidiu lançar uma chapa própria, deixando o senador Angelo Coronel fora da composição majoritária, a postura de Otto foi a de um líder experiente, comprometido com a estabilidade política e com a preservação dos acordos estratégicos construídos ao longo dos anos.
Em nenhum momento houve qualquer movimento de exclusão ou tentativa de isolamento político de Angelo Coronel. Pelo contrário: Otto colocou o PSD à disposição para que o senador pudesse construir uma candidatura independente, caso assim desejasse. Essa iniciativa teve como objetivo oferecer uma saída politicamente digna, sem comprometer a aliança do partido com o governo federal, com o presidente Lula, com o governador Jerônimo Rodrigues e com o senador Jaques Wagner. O PSD, como estrutura partidária, não gira em torno de um único nome, e seus deputados federais e estaduais dependem diretamente dessa aliança para manter governabilidade e viabilidade eleitoral.
O que se viu, posteriormente, foi a tentativa de Angelo Coronel de buscar, junto à direção nacional do partido, uma mudança na linha política do PSD na Bahia. Na prática, isso significaria enfraquecer a liderança de Otto Alencar no estado e rever compromissos já firmados com o campo governista. Sem encontrar apoio suficiente para essa estratégia, Coronel reagiu de forma pública e crítica, afirmando ter sido “defenestrado” do processo político — uma interpretação que não corresponde aos fatos.
Otto Alencar jamais adotou postura de hostilidade ou ruptura com um colega de partido e de Senado. Sua atuação sempre foi marcada pelo diálogo, pela lealdade aos acordos firmados e pela busca de soluções que preservassem tanto os indivíduos quanto o projeto político coletivo.
A experiência recente da política baiana demonstra que projetos construídos fora das alianças majoritárias tendem a enfrentar grandes dificuldades. Casos como os de João Leão e Marcelo Nilo ilustram como a tentativa de seguir caminhos isolados pode resultar em perda de espaço e influência. Esse histórico reforça que a política na Bahia se organiza a partir de pactos amplos, nos quais liderança, articulação e coerência estratégica são determinantes.
Nesse contexto, a condução de Otto Alencar se mostra equilibrada e responsável, ao priorizar o interesse do partido e da aliança maior, sem recorrer a gestos de exclusão ou confronto desnecessário. A situação envolvendo Angelo Coronel revela, sobretudo, os limites das iniciativas individuais quando não encontram respaldo no conjunto do projeto político vigente.




