Política e Resenha

Despedidas na Cidade | cortejo de Rosânia Silva Borges percorre Vitória da Conquista sob forte comoção

 

A cena parecia suspender o tempo em Vitória da Conquista. Em meio ao silêncio pesado do luto, o cortejo que levava o corpo de Rosânia Silva Borges atravessou ruas da cidade e provocou uma onda de emoção que tomou conta de quem acompanhava aquele momento de despedida.

O instante mais marcante aconteceu quando o cortejo passou pela Avenida Caracas — exatamente o local onde, dias antes, a dona de casa havia sido tragada pela força da enxurrada durante o temporal que surpreendeu a cidade. Ali, naquele ponto que se tornou símbolo de dor e memória, o cortejo parou.

Familiares, amigos e moradores que acompanhavam o trajeto desceram dos carros e, reunidos, fizeram uma oração coletiva. Foi um gesto simples, mas profundamente carregado de significado. Em meio às lágrimas e abraços silenciosos, a fé parecia ser a única linguagem capaz de traduzir a despedida.

Rosânia tinha 46 anos e era moradora do bairro Vila América, onde era conhecida por muitos vizinhos e amigos. Na segunda-feira (9), ela estava em um carro de transporte por aplicativo que trafegava pela Avenida Caracas quando o veículo foi surpreendido pela força da água acumulada após uma chuva intensa que atingiu Vitória da Conquista. A enxurrada arrastou o automóvel para um canal de drenagem ligado ao Rio Verruga. O motorista conseguiu escapar, mas Rosânia foi levada pela correnteza. (Luciana)

Durante dias, equipes do Corpo de Bombeiros e forças de segurança realizaram buscas intensas ao longo do percurso do rio, mobilizando uma verdadeira força-tarefa na tentativa de localizar a vítima. As operações envolveram varreduras em diversos pontos da cidade e também em áreas rurais por onde passa o Rio Verruga. (PMVC)

O corpo acabou sendo encontrado na zona rural do município, na região do Capinal, encerrando dias de angústia para familiares e amigos.

Mãe de cinco filhos, Rosânia deixa uma história de afeto e convivência que marcou profundamente sua comunidade. No bairro Vila América, a notícia de sua morte provocou uma comoção coletiva. Muitos moradores acompanharam o velório e o cortejo como forma de prestar a última homenagem.

A parada do cortejo na Avenida Caracas não foi apenas um gesto simbólico. Foi um momento em que a cidade pareceu se reconhecer na dor daquela família. Um instante em que Vitória da Conquista parou, rezou e se despediu.

Porque algumas histórias não pertencem apenas a uma família — elas passam a fazer parte da memória de toda uma cidade.

(Maria Clara)