Política e Resenha

ARTIGO — Óleo e Água: A Falsa Polarização da Direita em Vitória da Conquista

 

 

(Padre Carlos)

Acordei hoje com uma dessas manchetes que parecem grandes tempestades, mas que muitas vezes não passam de vento em copo d’água. No Instagram, lia-se: “Disputa na direita em Vitória da Conquista ganha repercussão nas redes sociais.”

A frase é chamativa. Funciona bem para movimentar comentários, alimentar grupos políticos e dar a impressão de que a cidade estaria à beira de uma grande guerra ideológica. Mas, quando se observa o cenário político com mais calma e menos paixão, a realidade parece bem diferente.

Na verdade, tentar criar uma polarização dentro da direita conquistense é como querer misturar óleo com água.

Não se trata da mesma coisa.

Primeiro, é preciso entender que existem duas direitas muito diferentes em disputa simbólica no debate público. Uma delas é a chamada ultra-direita ideológica, marcada por discursos mais rígidos e pouca capacidade de dialogar com o centro político. É um campo que vive mais da mobilização emocional das redes sociais do que da densidade eleitoral concreta.

Sua função política, muitas vezes, não é conquistar espaços institucionais locais, mas fortalecer candidaturas em âmbito federal, mantendo viva uma narrativa ideológica que mobiliza militantes.

Do outro lado está aquilo que poderíamos chamar de centro-direita pragmática, um campo político mais atento à realidade concreta da cidade, capaz de dialogar com diferentes setores sociais e compreender que política municipal não se faz apenas com slogans ideológicos.

É nesse espaço que aparece o nome do advogado Wagner Alves, frequentemente citado nos bastidores como possível candidato à Assembleia Legislativa da Bahia.

Enquanto alguns discursos preferem a guerra cultural permanente, a postura de Wagner tem sido mais moderada, evitando temas inflamáveis que dominam o debate político nacional. Sua atuação aponta para uma política que busca construir pontes, não muros.

A tentativa de transformar esse cenário em uma espécie de “duelo da direita” talvez diga mais sobre a lógica das redes sociais do que sobre a realidade eleitoral da cidade.

Porque há um fator decisivo que muitas análises ignoram: Vitória da Conquista nunca foi uma cidade extremista.

Os números eleitorais contam essa história com clareza.

Aqui, Lula venceu eleições.

Aqui também ACM Neto venceu eleições.

Esses dois fatos, por si só, revelam algo fundamental sobre o eleitor conquistense: ele não vota por fanatismo ideológico, vota por pragmatismo político.

A cidade não gosta de extremos.

Prefere equilíbrio.

Prefere diálogo.

Prefere projetos que conversem com sua diversidade social, econômica e cultural.

É nesse contexto que precisa ser compreendida também a eleição da prefeita Sheila Lemos, cuja vitória consolidou um projeto político identificado com a centro-direita administrativa, muito mais focada em gestão e resultados do que em batalhas ideológicas.

E isso tem consequências claras para o futuro eleitoral.

Os votos que elegeram Sheila não são votos de radicalismo. São votos de confiança em um projeto político específico.

É por isso que, ao contrário do que alguns discursos apressados sugerem, não existe uma divisão real dentro da direita conquistense. Existe, na verdade, um campo político dominante e um campo ideológico mais barulhento nas redes sociais do que forte nas urnas.

Porque há um fator decisivo que muitas análises ignoram: Vitória da Conquista nunca foi uma cidade extremista.

Os números eleitorais contam essa história com uma clareza quase pedagógica.

Nas eleições de 2022, por exemplo, o eleitor conquistense fez algo que só cidades politicamente maduras costumam fazer: votou em campos políticos diferentes sem qualquer crise existencial ideológica. Para presidente da República, Lula recebeu 111.892 votos, alcançando 55,40% dos votos válidos no município.

Já na disputa pelo governo da Bahia, o cenário foi completamente diferente. ACM Neto foi o candidato mais votado em Vitória da Conquista, com 91.460 votos, equivalentes a 46,89% dos votos válidos, superando o candidato do PT na cidade.

O que isso revela?

Revela algo simples, mas que muitos analistas de rede social parecem ignorar: o eleitor conquistense não é refém de radicalismos ideológicos. Ele não vota movido por fanatismo político, mas por avaliação pragmática de candidatos e projetos.

Vitória da Conquista, ao mesmo tempo em que deu maioria a Lula para presidente, também preferiu ACM Neto para governador.

Essa combinação não é contradição.

É maturidade política.

É exatamente por isso que tentar transformar o debate local em uma espécie de “guerra dentro da direita” soa artificial. A cidade não se move por trincheiras ideológicas. Move-se por equilíbrio, moderação e senso prático.

 

Mas também demonstram que esse eleitorado não é homogêneo nem radicalizado.

Ele se distribui entre diferentes sensibilidades dentro da direita — algumas mais ideológicas, outras mais pragmáticas.

Por isso, tentar enquadrar o debate político local em uma lógica de polarização artificial pode até gerar engajamento nas redes sociais, mas não explica a realidade.

Vitória da Conquista não é território de extremos.

É território de equilíbrio.

E talvez seja exatamente por isso que, em vez de guerras ideológicas, o eleitor conquistense continue preferindo algo muito mais simples — bom senso político.