
Entre os dias 20 e 22 de março, o coração do Sertão Produtivo pulsou mais forte. Não foi apenas mais um evento cultural — foi um movimento vivo de identidade, pertencimento e transformação social que percorreu os municípios de Contendas do Sincorá, Tanhaçu e Ituaçu, deixando marcas profundas nas comunidades.
O projeto Circula Comitê Sertão Produtivo reuniu artistas, mestres da cultura popular, agentes culturais e moradores em uma jornada que foi além da arte: promoveu conhecimento, inclusão e fortalecimento das políticas públicas culturais no sertão baiano. Em tempos em que a valorização das raízes culturais se torna essencial, a iniciativa surge como um exemplo concreto de como a cultura viva pode mudar realidades.
A abertura, em Contendas do Sincorá, foi marcada por um encontro potente na Câmara Municipal. Ali, saberes foram compartilhados e novas perspectivas foram construídas. A formação sobre os Editais Cultura Viva ampliou o acesso às políticas culturais, enquanto a roda de conversa destacou o protagonismo feminino, trazendo à tona reflexões fundamentais sobre liderança e representatividade. As apresentações artísticas reforçaram aquilo que o sertão já sabe: sua riqueza cultural é imensa e vibrante.
Em Tanhaçu, a programação ganhou ainda mais força ao se estender por dois dias. A integração entre formação, tradição e expressão artística mostrou que cultura não é apenas entretenimento — é ferramenta de educação, cidadania e transformação. A presença da capoeira, das narrativas populares e das discussões sobre políticas culturais revelou um território ativo, consciente e em constante construção.
Um dos momentos mais simbólicos aconteceu na Comunidade Quilombola do Pastinho. Ali, a cultura se apresentou como resistência viva, como memória preservada e como futuro sendo desenhado coletivamente. A roda de conversa “Reisado Vivo” evidenciou que tradição e contemporaneidade caminham juntas quando há espaço e incentivo.
O encerramento, em Ituaçu, trouxe um elemento ainda mais significativo: o fortalecimento das mulheres nas comunidades rurais e quilombolas. A programação destacou o protagonismo feminino como eixo central das políticas culturais, promovendo formação, escuta e empoderamento. Entre artesanato, música e intervenções artísticas, ficou evidente que investir na cultura é investir diretamente no desenvolvimento social e econômico dessas comunidades.
A ação reafirma o compromisso com a descentralização das políticas públicas culturais, garantindo que elas cheguem onde realmente fazem a diferença: nas comunidades. O apoio de instituições, prefeituras e agentes culturais mostra que o diálogo institucional é um caminho sólido para resultados concretos e duradouros.
Mais do que um circuito cultural, o Circula Comitê Sertão Produtivo revelou uma verdade poderosa: a cultura nasce no povo, cresce no coletivo e se consolida como direito quando há acesso, incentivo e participação.
E no sertão baiano, ela segue viva — mais forte, mais consciente e mais transformadora do que nunca.
(Maria Clara)




