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Quinta-feira, 26 de março de 2026  |  Bahia

 

Artigo de OpiniãoPolítica Baiana

O Convite que Pode
Redesenhar a Bahia

ACM Neto parte para Jequié e estende a mão a Zé Cocá. Mais do que uma aliança tática, o gesto carrega o peso de uma aposta histórica — e o fardo de uma responsabilidade que não admite hesitação.
ACM Neto
ACM NetoPré-candidato ao governo da Bahia pelo União Brasil
Zé Cocá
Zé CocáPrefeito de Jequié (PP), convidado a integrar a chapa

Crédito: Divulgação

Há momentos na política em que um deslocamento geográfico de algumas horas de carro vale mais do que anos de declarações públicas. A viagem de ACM Neto a Jequié, nesta quinta-feira (26), é um desses momentos — denso de simbolismo, carregado de cálculo e, acima de tudo, revelador de como se constroem as apostas que podem mudar destinos.

O pré-candidato ao governo da Bahia pelo União Brasil foi pessoalmente ao encontro de Zé Cocá, prefeito de Jequié pelo Progressistas, para fazer aquilo que, no vocabulário sóbrio da política, se chama de “convite formal e oficial”. Em linguagem humana: trata-se de um pedido. Neto quer que Cocá renuncie ao cargo de prefeito, abra mão da gestão de uma cidade que o elegeu com votos e confiança, e embarque numa travessia incerta rumo ao Palácio de Ondina — desta vez como candidato a vice-governador.

“Vou fazer o convite formal e oficial para que Zé Cocá renuncie à prefeitura e aceite esse desafio e tarefa de nos acompanhar na missão de mudar a Bahia.”

— ACM Neto, em entrevista à rádio Metrópole

O Peso de um Convite

Não se pede isso a um político sem medir bem as consequências — para quem convida e para quem é convidado. ACM Neto sabe disso melhor do que ninguém. Saído de uma trajetória de oposição robusta, ex-prefeito da capital baiana por dois mandatos e figura que carrega o sobrenome mais eleitoralmente denso do estado, ele não viaja a Jequié por acaso ou por protocolo. A escolha de Zé Cocá fala de uma estratégia territorial clara: ancorar a chapa no centro-sul baiano, onde a presença eleitoral da oposição ainda precisa ganhar espessura.

Jequié não é uma cidade qualquer. É um polo regional com vocação histórica, orgulho próprio e uma classe política que sabe exatamente quanto vale seu apoio. Que ACM Neto vá pessoalmente — não mande um intermediário, não faça o convite por nota — é um gesto de respeito que merece ser reconhecido. Em tempos em que a política se converteu em algoritmo, aparecer de corpo presente ainda significa alguma coisa.

Contexto Político

O centro-sul baiano tem sido historicamente disputado entre grupos locais e a influência da capital. A inclusão de Zé Cocá na chapa seria um esforço deliberado de ACM Neto para enraizar sua candidatura no interior profundo do estado, onde os governos petistas construíram bases sólidas ao longo de décadas.

A Renúncia como Declaração de Fé

Mas há um custo. Zé Cocá terá de abrir mão de algo concreto — um mandato, uma cidade, uma responsabilidade assumida perante quem votou nele — por algo que ainda é promessa, projeto, aposta. Ninguém renuncia uma prefeitura com leveza. Quem o faz está dizendo, com o gesto mais inequívoco que a política permite, que acredita no que está fazendo. Que julga a missão maior do que a cadeira.

É exatamente aí que reside a grandeza — e o risco — desse momento. Se Zé Cocá aceitar, estará fazendo uma declaração de fé numa mudança que ainda precisa ser provada nas urnas. Se recusar, o convite público de Neto terá deixado um registro permanente: o de que havia uma oportunidade e ela foi declinada. Em política, contextos assim raramente passam em branco.

A Bahia que Está em Jogo

Por trás da coreografia política, há algo mais amplo e urgente: a questão de saber se a Bahia está ou não pronta para uma virada. O estado que elegeu o PT ao governo por décadas consecutivas carrega marcas reais — de avanços sociais inegáveis e de atrasos estruturais que teimam em persistir. A oposição baiana tem o desafio de apresentar uma alternativa que não seja apenas negação, mas projeto.

ACM Neto, ao se colocar na estrada em direção a Jequié, está tentando construir esse projeto tijolo por tijolo — vereador por vereador, prefeito por prefeito, aliança por aliança. Há algo de artesanal nessa política de território que contrasta com a volatilidade das redes sociais. É uma política lenta, trabalhosa e, por isso mesmo, mais honesta em suas intenções.

Construir um futuro diferente para um estado não é tarefa de um homem só — nem de uma chapa só. É obra de uma geração disposta a apostar.

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O Que Fica da Viagem a Jequié

Independentemente do desfecho da reunião desta quinta-feira, uma coisa é certa: ACM Neto demonstrou disposição. Saiu da capital, enfrentou a estrada e disse, sem rodeios, o que queria. Há uma virtude antiga nisso — a virtude de quem não tem medo de pedir, de quem não disfarça a ambição sob véus de falsa modéstia.

Zé Cocá, por sua vez, tem diante de si uma dessas encruzilhadas que definem trajetórias. O que decide agora vai muito além do cargo que ocupa ou do que pode ocupar. Decide, em última instância, sobre a qualidade da sua aposta — e sobre o tamanho do político que quer ser.

A Bahia assiste. E, no fundo, torce para que os dois estejam à altura do momento.

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Editoria de Opinião — Política & Resenha
Cobertura analítica da política baiana e nacional. Baseado em Vitória da Conquista, BA.

 

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