
República Federativa do Brasil
Poder, Lealdade & Firmeza
Ano do Senhor · MMXXVI
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Presidente Lula,
Escrevo-lhe esta carta não apenas como observador da política brasileira, mas como alguém que acompanha atentamente os movimentos do poder em Brasília e compreende que certos episódios carregam significados muito maiores do que aparentam à primeira vista.
A rejeição do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal não foi apenas uma derrota circunstancial do governo. Foi um gesto político calculado. Uma demonstração pública de força. Um recado enviado ao Palácio do Planalto por setores que desejam limitar sua autoridade e enfraquecer sua capacidade de liderança.
Na política, presidente, não basta apenas compreender os fatos. É preciso compreender os símbolos.
E o símbolo deixado pela atuação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, é o de alguém que já não se comporta como parceiro institucional do governo, mas como um adversário político disposto a impor derrotas estratégicas ao senhor diante do país inteiro.
A República exige respeito entre os Poderes. O diálogo institucional deve permanecer. O Senado precisa continuar sendo tratado com a dignidade que sua importância constitucional exige. Mas política não pode ser confundida com ingenuidade.
Quem trabalha para enfraquecer o governo não pode continuar desfrutando da confiança política do governo.
Por isso, presidente, talvez tenha chegado a hora de rever profundamente a relação política construída com Alcolumbre e seu grupo. Todos os espaços administrativos, cargos estratégicos, diretorias, superintendências e indicações vinculadas ao senador deveriam ser reavaliados. Não como vingança. Não como explosão emocional. Mas como decisão política coerente.
Governos não podem fortalecer estruturas que operam contra eles próprios.
A história brasileira está cheia de exemplos de presidentes que acreditaram excessivamente em pactos frágeis, imaginando que concessões permanentes produziriam lealdade. Produziram apenas mais exigências, mais pressão e mais fragilidade política.
O senhor conhece Brasília como poucos homens públicos vivos conhecem. Sabe que, naquele ambiente, o poder respeita firmeza. Respeita liderança. Respeita capacidade de reação.
Manter a relação institucional é obrigação republicana. Mas tratar politicamente um adversário como aliado preferencial pode se transformar em erro estratégico irreversível.
Talvez este seja o momento de fechar algumas portas políticas, reorganizar sua base verdadeira e compreender quem de fato deseja governabilidade e quem apenas deseja controlar o governo por dentro.
A derrota envolvendo Jorge Messias mostrou algo importante: há setores que não querem apenas negociar com o Planalto. Querem tutelar o Planalto. Querem transformar o governo em refém de interesses parlamentares que crescem à medida que percebem hesitação no Executivo.
E é justamente nessas horas que a autoridade presidencial precisa reaparecer.
O senhor foi eleito pela vontade popular para liderar o Brasil, não para administrar pressões permanentes de grupos que confundem diálogo com submissão.
O país vive um tempo delicado. A sociedade observa cada gesto do governo. E muitos dos que votaram no senhor esperam não apenas conciliação, mas também firmeza diante daqueles que tentam diminuir a autoridade presidencial.
A política exige serenidade. Mas também exige memória.
E talvez o maior erro de um governante seja esquecer quem lhe estende a mão apenas enquanto lhe convém.
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Com respeito institucional,
mas com clareza política.
Política e Resenha — Vitória da Conquista, BA
CARLOS
Esta carta não é um libelo pessoal, nem um grito de revolta. É a voz de um cidadão que acredita na força das instituições e na responsabilidade de quem governa. Que seja lida com a seriedade que o momento exige.
Política e Resenha




