Política e Resenha

ARTIGO – Conquista Não Precisa de Padrinhos Eleitorais. Precisa de Representantes.

 

Por Padre Carlos

Vitória da Conquista e todo o Sudoeste baiano chegaram a um ponto em que já não podem mais aceitar ser apenas um grande colégio eleitoral. Durante décadas, nossa região abriu as urnas, entregou milhares de votos e fortaleceu carreiras políticas de candidatos que, depois de eleitos, desapareceram do mapa. Voltam apenas quando o calendário eleitoral anuncia uma nova disputa.

A declaração de Wagner Alves, ao afirmar que “o Sudoeste é órfão de representatividade”, traduz um sentimento que há muito tempo ecoa entre a população. Na última eleição, mais de 70 mil votos foram destinados a candidatos que sequer possuíam uma ligação efetiva com nossa terra. Isso não é apenas um dado eleitoral; é o retrato de uma cultura política que enfraquece a capacidade de Vitória da Conquista defender seus próprios interesses.

Nesse contexto, é natural que a prefeita Sheila Lemos e Wagner Alves estabeleçam critérios rigorosos para definir uma aliança na disputa pela Câmara Federal. Não se trata de um simples “toma lá, dá cá”, prática que tanto desacreditou a política brasileira. O que está em discussão é algo muito maior: um compromisso permanente com a cidade e com toda a região Sudoeste.

Uma aliança política só faz sentido quando representa um verdadeiro pacto de responsabilidade. O deputado federal que receber o apoio das principais lideranças locais deve assumir publicamente o compromisso de defender Vitória da Conquista em Brasília, lutar por recursos, obras estruturantes, investimentos em saúde, infraestrutura, educação, desenvolvimento econômico e fortalecimento regional.

Não basta aparecer em comícios, gravar vídeos e pedir votos. É preciso estar presente durante os quatro anos do mandato. É preciso conhecer os problemas da cidade, acompanhar as demandas dos municípios vizinhos e transformar influência política em resultados concretos.

Infelizmente, a falta dessa representatividade produz consequências visíveis. Um exemplo emblemático está na destinação de emendas parlamentares para pequenas obras, enquanto o Governo do Estado acaba sendo o responsável pela execução. Independentemente da avaliação que cada cidadão faça sobre os governos estadual ou municipal, é legítimo questionar se esse modelo corresponde ao potencial político e econômico de uma das maiores cidades da Bahia.

Vitória da Conquista é a terceira maior economia do estado, referência regional em comércio, saúde, educação e serviços. Não pode continuar recebendo um tratamento político inferior ao peso que possui.

A responsabilidade, porém, não recai apenas sobre os parlamentares. Ela também pertence às lideranças locais e aos próprios eleitores. Durante muito tempo, a direita conquistense fragmentou suas forças, dividiu apoios e permitiu que outros grupos ocupassem os espaços de representação. Talvez tenha chegado o momento de aprender com os erros do passado e construir uma estratégia capaz de fortalecer quem realmente esteja disposto a assumir um compromisso duradouro com a região.

O eleitor também precisa amadurecer. O voto não pode ser entregue apenas por afinidade ideológica, promessas de campanha ou pela influência das redes sociais. Deve ser concedido àqueles que demonstrem presença constante, prestação de contas, compromisso público e capacidade de defender os interesses de Vitória da Conquista.

A política não pode continuar sendo um namoro de campanha que termina logo após a posse. Nossa cidade precisa de um casamento firmado sobre responsabilidade, respeito e compromisso. Quem quiser os votos do Sudoeste deve entender que não basta visitar a região em época eleitoral. É preciso caminhar ao lado dela durante todo o mandato.

Vitória da Conquista não precisa mais de turistas eleitorais. Precisa, finalmente, de representantes.