Câmara Municipal
Eleições 2028
Ivan Cordeiro e a continuidade que Vitória da Conquista precisa na Presidência da Câmara

Em meio à articulação para 2028, o presidente da Casa Legislativa reafirma compromisso com pautas estruturantes e sinaliza que seu nome — dentro ou fora da disputa — seguirá a serviço do projeto que governa a cidade.
Há gestos, na política municipal, que revelam mais sobre um mandato do que qualquer discurso de tribuna. Um deles é a capacidade de conduzir uma Casa Legislativa plural — com vereadores de diferentes siglas, origens e interesses — sem que isso se transforme em paralisia ou em guerra de vaidades. É esse o gesto que Ivan Cordeiro da Silva Filho, do Partido Liberal, vem repetindo há oito anos à frente da Câmara Municipal de Vitória da Conquista, e é por isso que sua busca por mais dois anos no comando da Casa merece ser vista com a seriedade que o tema exige.
Um mandato que optou pela ponte, não pela trincheira
Não é pouca coisa manter, ao longo de dois mandatos, um posicionamento harmônico com todas as vertentes partidárias da Câmara. Em um cenário nacional marcado pelo desgaste da política e pela radicalização do debate público, Ivan Cordeiro construiu algo mais raro: a fama de interlocutor confiável, capaz de dialogar com situação e oposição sem abrir mão de uma pauta clara. Essa característica, por si só, já seria motivo suficiente para que os próprios pares — que o conhecem de perto, votação após votação — considerassem a renovação da sua gestão à frente da Mesa Diretora.
“Eu acredito que como vereador já dei a minha contribuição, minha parcela de contribuição para o desenvolvimento do nosso município. […] Meu compromisso é com as pautas estruturantes: a maternidade regional, o hospital universitário, a construção de viadutos no anel viário e a criação da região metropolitana.”
— Ivan Cordeiro, em entrevista concedida nesta segunda-feira (6)
O soldado do projeto, não do próprio nome

Há um dado importante na fala do presidente da Câmara: ele abre mão, publicamente, de disputar novamente uma cadeira no legislativo, colocando-se à disposição para “voos maiores” — e deixa claro que, em 2028, seu nome estará à disposição do grupo, seja para ser candidato, seja para apoiar quem a coligação entender mais adequado. É a postura de quem entende a política como projeto coletivo, e não como propriedade pessoal. Não se trata de subserviência, mas de disciplina de quadro: alguém que já demonstrou, na prática legislativa, que sabe negociar, mediar e entregar, e que agora aceita que essa entrega continue sendo decidida em conjunto com o grupo político que o credenciou.
As pautas citadas por Cordeiro Filho não são de menor importância. A instalação de uma maternidade regional e a consolidação do hospital universitário mexem diretamente com a vida de quem depende do SUS em toda a macrorregião de Vitória da Conquista. A construção de viadutos no anel viário responde a um problema crônico de mobilidade que a cidade arrasta há décadas. E a criação da região metropolitana pode reposicionar Conquista no mapa de investimentos e de poder de barganha frente ao Estado. São bandeiras que exigem continuidade institucional para sair do papel — e continuidade, na Presidência da Câmara, significa justamente não interromper articulações que já estão em curso.
O contraponto que não se pode ignorar
É justo, no entanto, que este espaço de opinião também registre a leitura de quem vê com reserva a perspectiva de um mesmo grupo político permanecer por tanto tempo à frente da Mesa Diretora. Para os críticos, a renovação sucessiva de lideranças ligadas ao mesmo projeto de poder pode enfraquecer a alternância que, em tese, oxigena o Legislativo e amplia a pluralidade de vozes na condução da Casa. É um argumento legítimo, e cabe aos próprios vereadores — e à opinião pública — pesar se a estabilidade oferecida por Cordeiro compensa esse risco de concentração.
Por que a recondução faz sentido

Ainda assim, pesados os dois lados, a balança pende para a continuidade. Trocar de comando às vésperas de decisões estruturantes — orçamento, articulação da região metropolitana, avanço de obras já negociadas — tem um custo real: o de recomeçar entendimentos que levaram anos para amadurecer. Ivan Cordeiro chega a este momento com capital político acumulado, trânsito comprovado entre bancadas e um plano de trabalho já anunciado publicamente, o que reduz o risco de que a máquina legislativa perca ritmo justamente quando mais precisa de eficiência.
Por isso, defendo, sem meias palavras, que os vereadores de Vitória da Conquista façam o que a maturidade política recomenda: reconduzir Ivan Cordeiro à Presidência da Câmara Municipal. Não por comodismo, mas porque a cidade tem, hoje, agendas grandes demais para o luxo de recomeçar do zero.
Artigo de opinião — Blog Política e Resenha




