Política e Resenha

ARTIGO – Na CBN Salvador, Dr. Wagner Alves coloca a saúde da Bahia no centro do debate político

 

Padre Carlos

 

A entrevista concedida pelo pré-candidato a deputado estadual Dr. Wagner Alves à Rádio CBN Salvador teve o mérito de levar para o centro do debate um dos temas que mais angustiam os baianos: a crise da saúde pública.

 

Ao ser questionado sobre os principais problemas enfrentados por Vitória da Conquista, Dr. Wagner foi direto. Afirmou que a saúde é o maior desafio não apenas do município, mas de toda a Bahia, e sustentou que o Governo do Estado tem sido omisso em responsabilidades que lhe cabem na organização da assistência regional.

A declaração provocou imediata reação do deputado federal Jorge Solla, que saiu em defesa do governo estadual e classificou as críticas como injustas. A resposta do parlamentar demonstra que a entrevista repercutiu e atingiu um tema sensível: a avaliação da política de saúde desenvolvida na Bahia após quase duas décadas de administrações do Partido dos Trabalhadores.

Entretanto, mais importante do que a troca de acusações é analisar o conteúdo da entrevista. Dr. Wagner citou exemplos concretos da realidade vivida por Vitória da Conquista. Lembrou que a cidade atende pacientes de dezenas de municípios do sudoeste baiano e que diversos serviços considerados de caráter regional continuam sendo sustentados com recursos municipais.

Entre os exemplos apresentados estão a assistência oncológica prestada pela UNACON e o Hospital Municipal Esaú Matos, referência em maternidade de alto risco para toda a região. São serviços cuja demanda ultrapassa os limites do município, exigindo uma participação efetiva do Governo do Estado no financiamento e na organização da rede.

Outro ponto levantado durante a entrevista foi a conhecida fila da regulação estadual. Não se trata de uma expressão criada por adversários políticos. Ao longo dos anos, a população passou a associá-la ao sofrimento de famílias que aguardam por um leito hospitalar, uma cirurgia ou um atendimento especializado, muitas vezes em situações de extrema urgência.

É evidente que a saúde pública é uma responsabilidade compartilhada entre União, Estado e municípios. Nenhum gestor pode ser completamente absolvido ou responsabilizado isoladamente. Contudo, também é verdade que compete ao Governo da Bahia coordenar a rede estadual de alta complexidade, organizar a regulação e garantir que os serviços regionais funcionem de maneira eficiente.

A entrevista de Dr. Wagner Alves não chamou atenção apenas pelo tom firme de suas declarações, mas porque deu voz a uma realidade conhecida por milhares de famílias baianas. O debate provocado por suas palavras revela que a saúde deverá ocupar posição central nas eleições de 2026.

Em vez de transformar o assunto apenas em uma disputa entre governo e oposição, talvez este seja o momento de discutir soluções concretas. O cidadão que espera por atendimento pouco se preocupa com quem vence o debate político. O que ele deseja é encontrar um sistema de saúde capaz de responder às suas necessidades com rapidez, dignidade e eficiência.

Se a entrevista concedida à Rádio CBN Salvador servir para ampliar essa discussão e estimular respostas efetivas do poder público, ela já terá cumprido um importante papel democrático. Afinal, quando a saúde entra em pauta, o verdadeiro interesse deve ser sempre a vida das pessoas.