(Padre Carlos)
A política baiana começa a entrar, definitivamente, no terreno das escolhas que vão moldar 2026. E a reunião realizada nesta segunda-feira, 11 de agosto, em Vitória da Conquista, pelo presidente da Câmara Municipal, Ivan Cordeiro, ao lado de ACM Neto, Zé Cocá e Ângelo Coronel, merece ser observada para além da fotografia política.
O encontro revela algo que há muito tempo Vitória da Conquista reivindica: ser ouvida quando se discute o futuro da Bahia.
Segundo a manifestação de Ivan Cordeiro, a reunião teve como eixo as eleições de 2026 e a apresentação das principais pautas e demandas de Vitória da Conquista. A mensagem política é clara: o município não quer apenas assistir à disputa pelo Governo da Bahia; quer participar da construção de um projeto que considere o interior como parte central das decisões do Estado.
E essa discussão não é pequena.
Vitória da Conquista não é apenas mais uma cidade baiana. É um dos principais centros econômicos, educacionais, comerciais e de serviços do interior. Sua influência ultrapassa os limites territoriais do município e alcança uma extensa região do Sudoeste. Por isso, quando se fala em desenvolvimento da Bahia, discutir o futuro de Conquista significa discutir também o futuro de uma parcela expressiva do interior baiano.
O próprio Ivan Cordeiro vem colocando o desenvolvimento regional entre suas bandeiras. Em maio, ao defender o planejamento da cidade para os próximos anos, destacou a posição estratégica de Vitória da Conquista como ligação entre diferentes regiões do país e seu potencial para se consolidar como um grande corredor logístico do interior nordestino.
É justamente aí que a política deixa de ser apenas disputa eleitoral e passa a ser discussão de projeto.
A presença de ACM Neto, Zé Cocá e Ângelo Coronel no encontro também dá à reunião uma dimensão política mais ampla. Independentemente das alianças que serão definitivamente construídas até as eleições de 2026, o fato é que diferentes forças políticas estão se movimentando e tentando compreender quais serão as demandas do eleitor baiano.
E Vitória da Conquista precisa fazer o mesmo.
Durante décadas, o município acumulou importância econômica e populacional sem conseguir transformar plenamente essa força em influência proporcional nas grandes decisões estaduais. Não basta ter uma economia forte, uma universidade, hospitais, comércio pujante, uma localização estratégica e uma região de influência que reúne dezenas de municípios. É preciso transformar essas características em força política capaz de produzir investimentos e projetos estruturantes.
Essa é talvez a principal mensagem que pode ser extraída da reunião.
Não se trata apenas de apoiar este ou aquele candidato. Trata-se de estabelecer uma agenda de interesses de Vitória da Conquista.
Hospital Universitário, infraestrutura, logística, mobilidade, saúde, educação, desenvolvimento industrial, fortalecimento do comércio, tecnologia, turismo, segurança pública e investimentos regionais precisam estar no centro dessa agenda.
Uma cidade do tamanho e da importância de Conquista não pode aceitar que suas reivindicações apareçam apenas durante o período eleitoral.
A política precisa funcionar no sentido contrário: primeiro vêm as demandas da população; depois, os compromissos dos candidatos.
É nesse ponto que a atuação de Ivan Cordeiro ganha relevância institucional. Como presidente da Câmara de Vereadores, ele ocupa uma posição que permite levar para o debate estadual não apenas uma posição pessoal, mas demandas que podem ser construídas a partir do Legislativo municipal. A própria Câmara já vem defendendo pautas como o Hospital Universitário, a Universidade Federal do Sudoeste da Bahia e obras de infraestrutura viária.
Também não é novidade que Ivan vem participando do debate sobre a composição política de 2026. Em março, ele defendeu publicamente a possibilidade de Sheila Lemos integrar uma eventual chapa liderada por ACM Neto e argumentou que o interior deveria ter maior representação na disputa estadual.
Agora, entretanto, é importante ampliar o horizonte.
A eleição de 2026 não deveria ser reduzida à velha lógica de quem é contra quem. A Bahia precisa discutir qual projeto de desenvolvimento pretende construir para os próximos anos.
E, nesse debate, Vitória da Conquista precisa deixar de ser coadjuvante.
A cidade tem condições de reivindicar uma posição estratégica. Tem localização privilegiada, capacidade empresarial, instituições de ensino, rede de saúde, vocação comercial e uma população que deseja ver a cidade avançar. O que falta, muitas vezes, é transformar essa força econômica e social em uma agenda política permanente.
Talvez seja essa a maior contribuição de uma reunião como a realizada nesta segunda-feira.
Mais importante do que a fotografia ao lado de grandes nomes da política baiana é aquilo que vier depois dela.
Quais compromissos serão assumidos?
Quais obras serão priorizadas?
Quais investimentos chegarão ao Sudoeste?
Qual será o papel de Vitória da Conquista no novo projeto de desenvolvimento da Bahia?
Essas são as perguntas que interessam ao cidadão.
A política passa rapidamente. As eleições passam. Os candidatos mudam. Mas uma cidade permanece.
Por isso, Vitória da Conquista precisa aprender a negociar olhando para o futuro e não apenas para a próxima eleição.
Seja qual for o resultado das urnas em 2026, Conquista continuará sendo uma das principais cidades da Bahia. E justamente por isso precisa estar sentada à mesa onde as grandes decisões são tomadas.
A reunião de Ivan Cordeiro pode ser interpretada, portanto, como mais um capítulo de uma disputa maior: a disputa por espaço, reconhecimento e protagonismo do interior da Bahia.
E talvez esteja chegando a hora de Vitória da Conquista compreender definitivamente a dimensão de sua própria força.
Não basta ser importante.
É preciso transformar importância em protagonismo.
É isso que está em jogo.





