Política e Resenha

José Maria Caires coloca Conquista diante de ACM Neto e cobra um projeto de futuro para a Bahia

Análise & Opinião

Há encontros políticos que se limitam à fotografia, ao aperto de mãos e ao discurso de ocasião. E há encontros que podem representar algo maior: o momento em que uma cidade olha para os candidatos e pergunta, sem rodeios, qual é o projeto de futuro que vocês têm para nós?

A presença de ACM Neto em Vitória da Conquista, nesta terça-feira (11), para ouvir representantes dos setores industrial, comercial e empresarial, deveria ser compreendida exatamente sob essa perspectiva. Mais do que uma agenda eleitoral, o encontro é uma oportunidade para colocar sobre a mesa aquilo que talvez seja a maior carência de Conquista nos últimos anos: um projeto estratégico de desenvolvimento capaz de enxergar a cidade não apenas como um importante município do presente, mas como uma das grandes plataformas econômicas do futuro da Bahia.

E quem colocou essa discussão em movimento foi o empresário José Maria Caires, uma dessas vozes que aprenderam que reclamar é pouco quando se deseja transformar a realidade. À frente do movimento Duplica Sudoeste, Zé Maria tem feito da duplicação da BR-116 uma espécie de bandeira civilizatória da região.

Porque, afinal, a BR-116 não é apenas uma estrada.

Ela é a artéria por onde passam mercadorias, trabalhadores, ambulâncias, estudantes, turistas, produtores rurais e sonhos. Uma rodovia que corta o Sudoeste baiano e conecta Vitória da Conquista a mercados, cidades e oportunidades. Quando uma estrada dessa importância permanece inadequada às necessidades de uma região que cresceu, não é apenas um problema de infraestrutura. É um obstáculo ao desenvolvimento.

“A expectativa de que a duplicação esteja contemplada no processo de concessão previsto para 2026 não pode ser tratada como promessa eleitoral. Precisa transformar-se em compromisso público, cronograma, projeto e fiscalização social.”

Por isso, a esperança manifestada por José Maria Caires diante da saída da ViaBahia e da perspectiva de uma nova concessão da rodovia merece ser levada a sério.

Conquista já esperou demais.

A cidade tem tamanho, população, localização estratégica, capacidade empresarial, universidades, comércio pujante e uma posição geográfica privilegiada. O que lhe falta, muitas vezes, não é vocação. É infraestrutura compatível com a sua vocação.

Uma visão para 50 ou 100 anos

É nesse ponto que a fala de Zé Maria Caires ganha uma dimensão que ultrapassa o ambiente empresarial. Quando ele afirma que as demandas precisam ser pensadas para os próximos 50 ou 100 anos, está dizendo algo que a política brasileira frequentemente esquece: governar não deveria significar apenas administrar o mandato; deveria significar preparar o território para as próximas gerações.

A duplicação da BR-116 é uma dessas obras. Mas não é a única.

Obras estruturantes citadas

• Duplicação da BR-116

• Ampliação do Distrito Industrial

• Implantação de um centro de convenções

• Construção da barragem do Rio Pardo

Não se trata apenas de construir concreto e asfalto. Trata-se de criar as condições para que empresas se instalem, empregos sejam gerados, investimentos cheguem e os jovens encontrem aqui razões para permanecer.

Uma agenda que pertence à cidade, não a partidos

A política precisa voltar a pensar em grandeza. Durante muito tempo, acostumamo-nos a comemorar pequenas conquistas como se fossem grandes feitos. Uma rua pavimentada, uma praça reformada, uma obra pontual — tudo isso tem seu valor, evidentemente. Mas uma cidade do tamanho de Vitória da Conquista não pode viver eternamente de soluções fragmentadas.

Conquista precisa de uma agenda de Estado. E essa agenda não deveria pertencer ao União Brasil, ao PT, ao PSD ou a qualquer outra legenda. Deveria pertencer à cidade.

Por isso, há algo particularmente interessante na sequência desse movimento: depois de ACM Neto, o setor empresarial deverá se reunir também com Jerônimo Rodrigues, candidato à reeleição pelo PT.

E talvez esteja aí a melhor notícia.

Empresários não precisam escolher entre ouvir um candidato ou outro. Precisam ouvir todos. E todos precisam ouvir a cidade.

A democracia ganha quando o setor produtivo apresenta suas demandas ao candidato de oposição e, no dia seguinte, apresenta as mesmas demandas ao candidato governista. Ganha ainda mais quando ambos percebem que certas questões não são de governo ou oposição: são questões de Conquista.

A BR-116 não tem ideologia.

A barragem do Rio Pardo não tem partido.

O Distrito Industrial não vota.

Um centro de convenções não pertence a uma legenda.

Essas obras pertencem ao futuro.

E talvez seja justamente essa a grande provocação que o encontro desta terça-feira deveria produzir: quem quer governar a Bahia precisa dizer o que pretende fazer para que Vitória da Conquista deixe de ser apenas uma cidade importante e se torne uma cidade verdadeiramente estratégica para o desenvolvimento baiano.

ACM Neto terá a oportunidade de falar. Jerônimo Rodrigues também terá. Mas, desta vez, talvez seja mais importante que eles escutem.

A Conquista que não está nos palanques

Porque existe uma Conquista que não está nos palanques. Ela está nas lojas, nas fábricas, nas universidades, nos hospitais, nas fazendas, nas transportadoras, nos escritórios, nas ruas e nas estradas. É uma cidade que trabalha todos os dias e que sabe que desenvolvimento não acontece por decreto.

Desenvolvimento precisa de estrada.

Precisa de água.

Precisa de energia.

Precisa de logística.

Precisa de planejamento.

Precisa de segurança jurídica.

Precisa de educação.

Precisa de coragem política.

E, sobretudo, precisa de uma visão de futuro.

José Maria Caires tem razão quando fala em pensar nos próximos 50 ou 100 anos. Uma cidade que olha apenas para a próxima eleição termina escrava do presente. Uma cidade que olha para as próximas gerações começa, enfim, a construir sua história.

Talvez essa seja a grande oportunidade de Vitória da Conquista neste processo eleitoral: transformar suas demandas em uma agenda permanente de desenvolvimento, obrigando os candidatos a responder não apenas o que pretendem fazer, mas qual Bahia querem construir e qual lugar Conquista ocupará nessa Bahia.

Porque estrada duplicada é importante.

Mas uma cidade que sabe para onde quer ir é ainda mais.

E Vitória da Conquista precisa, urgentemente, descobrir — e exigir — o seu próximo destino.

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Padre Carlos – Artigo de opinião — as ideias aqui expressas refletem a análise editorial do autor.