A Bahia rachada ao meio: por que 2026 pode repetir o susto de 2022
Jerônimo Rodrigues e ACM Neto voltam a se enfrentar quatro anos depois de uma eleição decidida por pouco mais de cinco pontos. Os números que chegam de 2026 sugerem que o estado segue dividido ao meio — e que o segundo turno pode não ser exceção, mas hábito.
A
penas 5,58 pontos percentuais. Foi essa a diferença que separou Jerônimo Rodrigues e ACM Neto na decisão pelo governo da Bahia em 2022. Jerônimo venceu com 52,79% dos votos válidos. ACM Neto teve 47,21%. Praticamente metade da Bahia para cada lado — um empate técnico travestido de vitória, decidido nas últimas semanas de outubro, na base do detalhe. E quatro anos depois, os dois nomes estão de novo no centro do tabuleiro. A pergunta que ganha força em cada roda de conversa política do estado é simples de fazer e difícil de responder: a Bahia vai ter segundo turno de novo?
Segundo turno • 30 de outubro de 2022
O resultado que decidiu o governo da Bahia
| Jerônimo Rodrigues (PT) | 52,79% | ||
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| ACM Neto (União Brasil) | 47,21% | ||
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Diferença entre os dois: 5,58 pontos percentuais — uma das eleições mais apertadas da história recente do estado.
Vinte e oito anos sem dividir o estado em dois turnos
Há um dado histórico que ajuda a medir o tamanho dessa pergunta. Antes de 2022, a Bahia havia passado 28 anos sem segundo turno para governador. A última vez tinha sido em 1994. Depois disso, ao longo de sete eleições consecutivas, o governador do estado foi definido já na primeira votação de outubro. Foi essa sequência que se rompeu quando Jerônimo e ACM Neto se enfrentaram, voto a voto, até o fim de 2022.
Linha do tempo • Governo da Bahia desde a redemocratização
| 1994 | Última eleição decidida em segundo turno — até 2022 |
| 1998–2018 | Sete eleições seguidas resolvidas no primeiro turno |
| 2022 | Jerônimo x ACM Neto: a sequência de 28 anos é interrompida |
| 2026 | Os mesmos dois nomes tentam, de novo, decidir o estado |
Aquela eleição de 2022 revelou uma divisão política nítida. ACM Neto mostrou força nos grandes centros urbanos. Jerônimo mostrou a força da capilaridade no interior do estado, município por município. É esse mesmo desenho — capital contra interior, urbano contra rural — que volta a estar em jogo.
2026: o duelo é o mesmo, mas os papéis mudaram
Existe uma diferença fundamental entre as duas disputas. Em 2022, Jerônimo era o desafiante, tentando chegar ao governo. Em 2026, ele precisa defender a gestão que fez à frente do estado. ACM Neto, por sua vez, chega carregando um dado que nenhum adversário pode ignorar: mesmo derrotado na última eleição, terminou com 47,21% dos votos válidos — uma base eleitoral gigantesca, que não desapareceu nestes quatro anos.
Pesquisas de intenção de voto • Cenário de 2º turno • 2026
O que os institutos vêm medindo desde julho
| Paraná Pesquisas — 31/jul a 02/ago | |||
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ACM Neto 50,9% | ||
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Jerônimo 40,0% | ||
| Futura/Apex — 24 e 25/jul | |||
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ACM Neto 54,1% | ||
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Jerônimo 41,4% | ||
| Real Time Big Data — 06 a 10/ago (empate técnico) | |||
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Neto à frente* | ||
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Jerônimo* | ||
*No levantamento do Real Time Big Data, divulgado em agosto, Neto aparece numericamente à frente nos três cenários testados, mas dentro da margem de erro de 2 pontos — ou seja, tecnicamente empatado com Jerônimo. Fontes: Paraná Pesquisas, Futura/Apex e Real Time Big Data, registradas no TSE.
“Em 2022, dois blocos eleitorais gigantescos ficaram frente a frente até o último voto. Quatro anos depois, as pesquisas mostram o mesmo desenho: uma Bahia que resiste a se decidir de uma vez só.”
Aprovação alta, rejeição alta: o retrato contraditório de Jerônimo
Um dos dados mais curiosos do ciclo aparece justamente na pesquisa Paraná Pesquisas de agosto: Jerônimo mantém aprovação de gestão acima de 55% — um índice alto para um governo no quarto ano — mas também lidera a rejeição pessoal entre os pré-candidatos, com 41,0% dos entrevistados dizendo que não votariam nele de jeito nenhum. ACM Neto é rejeitado por 28,2% do eleitorado. É o retrato de um estado que aprova a administração, mas ainda hesita diante do nome.
Índice de rejeição • Paraná Pesquisas, ago/2026
Quem os baianos dizem que não votariam de jeito nenhum
| Jerônimo Rodrigues | 41,0% | ||
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| ACM Neto | 28,2% | ||
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Repetir ou inverter: a pergunta que só outubro responde
Jerônimo quer repetir, em 2026, a vitória de 2022. ACM Neto quer inverter o resultado, transformando os 47,21% de quatro anos atrás em maioria. As pesquisas divulgadas entre julho e agosto deste ano mostram o ex-prefeito de Salvador à frente em todos os cenários testados — com vantagens que variam de um empate técnico a mais de dez pontos percentuais, a depender do instituto e do recorte. Mas o próprio histórico recente da Bahia ensina a não descartar reviravoltas: foi exatamente assim, com Neto na frente das pesquisas por boa parte da campanha, que a corrida de 2022 chegou ao segundo turno.
A Bahia terá que responder, mais uma vez, se consegue decidir tudo em um único domingo de outubro — ou se, como em 2022, vai precisar de mais quatro semanas de campanha para escolher entre dois blocos que, teimosamente, insistem em dividir o estado quase ao meio.
Eleições 2026
Governo do Estado
Pesquisas Eleitorais
Dados eleitorais: TSE (resultado do 2º turno de 2022) e pesquisas registradas na Justiça Eleitoral — Paraná Pesquisas, Futura/Apex e Real Time Big Data (2026).
Padre Carlos — Teólogo, filósofo e colunista político — Política e Resenha





