Política e Resenha

ARTIGO — O grupo de Sheila está esfacelado? A resposta veio da própria prefeita

Por Padre Carlos

Há narrativas políticas que nascem dos fatos. Outras nascem da vontade de transformar desejo em realidade. Em Vitória da Conquista, parece estar em curso uma tentativa insistente de construir a ideia de que o grupo político liderado pela prefeita Sheila Lemos estaria esfacelado, dividido e sem rumo. O problema para quem tenta sustentar essa versão é que a própria Sheila resolveu falar. E falou de maneira clara, pública e sem deixar muito espaço para interpretações: o grupo está unido, tem projeto e já começa a desenhar seus caminhos para as eleições de 2026.

É preciso separar uma coisa da outra. O fato de existirem diferentes candidaturas não significa, automaticamente, que exista rompimento. Em política, partidos possuem autonomia, lideranças constroem seus próprios projetos e candidatos disputam espaços. Isso faz parte do jogo democrático. Transformar a existência de candidaturas proporcionais diferentes em prova de uma suposta implosão de um grupo político é, no mínimo, uma interpretação precipitada.

E há algo ainda mais importante: quando uma liderança política de primeira grandeza declara publicamente quem deseja ao seu lado, o fato político precisa ser registrado.

Sheila Lemos não apenas reafirmou a unidade do seu grupo. Ela foi além. Ao lado de Wagner Alves, declarou que precisa dele na luta política a partir do próximo ano e afirmou acreditar que ele poderá ser o deputado estadual mais votado de Vitória da Conquista e um dos mais votados da Bahia.

Isso não parece exatamente a fotografia de um grupo “esfacelado”.

Ao contrário.

É a imagem de uma liderança que está escolhendo seu caminho, apresentando seu candidato e colocando sua autoridade política a serviço de um projeto. Pode-se concordar ou discordar da escolha de Sheila. Pode-se apoiar ou não apoiar Wagner Alves. Mas negar que existe uma manifestação política clara seria ignorar aquilo que está diante dos olhos.

E aqui chegamos ao ponto central desta discussão.

O deputado estadual de ACM Neto em Vitória da Conquista e no Sudoeste baiano tem nome e sobrenome: Wagner Alves.

Essa afirmação não deve ser entendida apenas como uma frase de campanha. Ela carrega um significado político. Wagner Alves começa a ocupar um espaço dentro de um campo político que precisa apresentar um nome competitivo para representar Conquista na Assembleia Legislativa da Bahia.

E a declaração de Sheila dá a esse projeto algo fundamental em qualquer eleição: identidade.

“Uma cidade do porte de Conquista, exemplo para a Bahia, merece um representante à altura”, afirmou a prefeita. E, em seguida, deixou explícita sua aposta: “Eu preciso de Wagner ao meu lado, preciso de Wagner lutando com a gente a partir do próximo ano”.

É uma declaração política de enorme significado.

Porque eleição não se faz apenas com números, pesquisas ou discursos de ocasião. Eleição também se faz com grupo, liderança, presença territorial e capacidade de construir uma identidade perante o eleitor.

Wagner Alves agora tem uma missão muito clara: transformar esse apoio político em presença eleitoral.

E não será uma tarefa pequena.

Vitória da Conquista é uma das cidades mais importantes da Bahia. É polo regional, exerce influência sobre dezenas de municípios e possui um eleitorado capaz de produzir resultados que ultrapassam os limites do município. Quem conquista espaço político em Conquista pode ampliar sua presença por todo o Sudoeste.

Por isso, a disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa não é uma questão menor. É uma disputa por representação política, por influência regional e por capacidade de interlocução com o Governo do Estado, com a Assembleia Legislativa e com Brasília.

Nesse cenário, é perfeitamente legítimo que Sheila Lemos tenha seu candidato.

Também é legítimo que outras lideranças tenham os seus.

O que não parece razoável é confundir pluralidade eleitoral com desintegração política.

Um grupo pode ter divergências. Pode ter interesses diferentes. Pode discutir estratégias. Pode até enfrentar disputas internas. Isso faz parte da política. Mas a existência de candidatos diferentes, por si só, não autoriza ninguém a decretar o fim de uma aliança.

A política é muito mais dinâmica do que as manchetes.

E talvez seja justamente aí que esteja o erro de alguns analistas e profissionais da imprensa local: tentar antecipar o resultado político antes que o eleitor seja ouvido.

A eleição ainda está sendo construída.

Os partidos ainda estão organizando suas chapas. As lideranças ainda estão conversando. Os candidatos ainda estão percorrendo municípios. E o eleitor, como sempre, observará tudo silenciosamente antes de tomar sua decisão.

Por isso, decretar agora que determinado grupo está “acabado”, “dividido” ou “esfacelado” pode ser mais uma torcida política do que uma análise propriamente dita.

A realidade apresentada por Sheila Lemos é outra.

Ela está dizendo: estou aqui, tenho grupo, tenho projeto e tenho candidato.

E seu candidato, neste momento, atende pelo nome de Wagner Alves.

A partir daqui, caberá ao próprio Wagner justificar a confiança depositada nele. Não basta ter apoio de uma prefeita. Será necessário conquistar o eleitor. Não basta ter um grupo político. Será necessário apresentar propostas. Não basta receber declarações de confiança. Será necessário transformar confiança em voto.

É assim que funciona a democracia.

Sheila fez sua escolha. Wagner aceitou o desafio. Agora começa a parte mais difícil: caminhar por Vitória da Conquista e pelo Sudoeste, conversar com as pessoas, ouvir demandas e apresentar um projeto capaz de convencer o eleitor de que ele pode ser, de fato, uma voz da região na Assembleia Legislativa.

E há uma frase dita pela prefeita que merece atenção especial: ela afirmou acreditar que Wagner será “o deputado mais votado em Conquista e um dos mais votados de toda a Bahia”.

É uma aposta alta.

Mas política também é feita de apostas.

E quem acompanha a política conquistense sabe que eleição nenhuma está ganha antes da abertura das urnas.

O que podemos afirmar neste momento é algo bem mais simples: a narrativa de que o grupo de Sheila Lemos estaria politicamente morto não combina com a imagem que a própria prefeita está apresentando publicamente.

Ela não está se escondendo.

Não está abandonando o campo político.

Não está dizendo que o grupo perdeu sua capacidade de articulação.

Está fazendo exatamente o contrário: está apresentando um nome, assumindo uma posição e convocando sua base para uma caminhada.

Podem surgir outras candidaturas? Certamente.

Podem existir disputas? Naturalmente.

Podem ocorrer mudanças no cenário até a eleição? Sem dúvida.

Mas uma coisa é analisar essas possibilidades. Outra, completamente diferente, é transformar desejo em fato e tentar convencer a opinião pública de que um grupo político acabou antes mesmo de a disputa começar.

Em política, quem anuncia a morte de um grupo cedo demais corre o risco de descobrir, no dia seguinte, que ele estava apenas reorganizando suas forças.

E, pelo que estamos vendo, Sheila Lemos não parece estar se despedindo da política.

Parece estar preparando a próxima batalha.

E nessa batalha, pelo menos por enquanto, ela já apresentou seu nome para deputado estadual:

Wagner Alves.

“É Wagner aqui, é nele em todo lugar.”

Agora será o eleitor quem dará a palavra final.

Padre Carlos