Política e Resenha

BOMBA NA BAHIA: Pesquisa Revela que Ninguém Está Seguro — Governo, Senado e Tudo Mais em Xeque

A BAHIA ENTROU EM CAMPO: A PESQUISA QUE MOSTRA UMA ELEIÇÃO MUITO MAIS ABERTA DO QUE PARECE

Por Padre Carlos

A
nova pesquisa Quaest sobre as eleições de 2026 na Bahia traz uma mensagem que não pode ser escondida atrás de manchetes simplistas: a eleição para o Governo da Bahia está aberta.

ACM Neto aparece numericamente à frente de Jerônimo Rodrigues. Dependendo do cenário apresentado ao eleitor, o ex-prefeito de Salvador chega a 40%, enquanto o governador registra 37%. Em outro cenário, ACM Neto aparece com 39% e Jerônimo mantém 37%. A diferença, portanto, é pequena e está dentro da margem de erro.

Isso significa que ninguém pode cantar vitória antecipadamente.

Mas também seria um erro político ignorar o sinal emitido pelas urnas imaginárias dessa pesquisa: ACM Neto conseguiu construir uma vantagem numérica justamente quando a campanha começa a ganhar temperatura.

E é aqui que os números começam a contar uma história mais interessante.

O governo está aprovado, mas o candidato não transforma automaticamente aprovação em voto

Existe uma aparente contradição na pesquisa que merece ser examinada com cuidado.

O governo Jerônimo Rodrigues tem 57% de aprovação contra 34% de desaprovação. Além disso, 53% dos entrevistados dizem que o governador merece ser reeleito.

Como explicar, então, que Jerônimo apareça com apenas 37% das intenções de voto? Essa é talvez a pergunta mais importante da pesquisa. A resposta está na diferença entre aprovação administrativa e intenção de voto.

Um eleitor pode aprovar determinadas ações de um governo e, ainda assim, não estar convencido de que deseja mais quatro anos daquela administração. Pode reconhecer obras, programas e políticas públicas e, simultaneamente, desejar mudança em outras áreas.

A própria pesquisa mostra esse fenômeno. Quando perguntados sobre o futuro do governo estadual, apenas 20% defendem simplesmente a continuidade. Outros 38% querem mudar aquilo que consideram inadequado e 38% defendem uma mudança completa de rumo.

Termômetro da mudança

O que o baiano quer para o governo estadual

Continuidade total20%
Mudar o que está inadequado38%
Mudança completa de rumo38%

Somados, 76% dos baianos entrevistados desejam algum grau de mudança.

Não significa que 76% sejam contra Jerônimo. Seria uma conclusão errada. Significa algo mais sofisticado: existe uma demanda por mudança que a campanha eleitoral poderá disputar. E eleição se ganha justamente quando um candidato consegue transformar uma percepção difusa em uma escolha concreta.

Gráfico 1

A disputa pelo Governo da Bahia

ACM Neto40%
Jerônimo Rodrigues37%
Indecisos13%
Branco/nulo7%
Maria Bona1%
Aroldo Félix1%
Ronaldo Mansur1%

Margem de erro: 3 pontos percentuais. Nível de confiança: 95%.

A vantagem de três pontos de ACM Neto precisa ser interpretada com responsabilidade. Com margem de erro de três pontos, o resultado não autoriza afirmar que existe uma liderança consolidada.

O que existe é uma disputa tecnicamente equilibrada, com vantagem numérica para ACM Neto. Essa diferença semântica é fundamental.

Pesquisa eleitoral não é fotografia do futuro. É fotografia do presente. E fotografia pode mudar.

O segundo turno revela outra coisa

Quando a Quaest coloca ACM Neto e Jerônimo Rodrigues frente a frente, o resultado é de 44% a 41% para ACM Neto. Mais uma vez, trata-se de empate técnico diante da margem de erro.

Gráfico 2

Segundo turno simulado

ACM Neto44%
Jerônimo Rodrigues41%
Indecisos9%
Branco/nulo/não votaria6%

Há, porém, uma informação política importante: mesmo quando os demais candidatos desaparecem do cenário, nenhum dos dois consegue abrir uma distância confortável.

Isso significa que a Bahia continua dividida. E quando uma eleição chega dividida a poucos meses do voto, cada segmento do eleitorado passa a valer ouro.

Rejeição: o número que pode decidir a eleição

Jerônimo Rodrigues aparece com 40% de rejeição, enquanto ACM Neto registra 32%. A diferença é de oito pontos percentuais.

Gráfico 3

Rejeição dos candidatos ao governo

Jerônimo Rodrigues40%
ACM Neto32%

Em uma eleição apertada, rejeição é patrimônio político negativo. O candidato que possui maior rejeição precisa convencer muito mais eleitores que o adversário. Não basta conquistar votos; é preciso impedir que os eleitores rejeitados pelo adversário sejam simplesmente transferidos para o outro lado.

Por isso, a eleição de 2026 poderá ser menos uma disputa para saber quem tem mais simpatizantes e mais uma batalha para saber quem consegue ampliar sua base sem aumentar sua rejeição.

A grande contradição do PT baiano

O PT possui na Bahia uma das suas maiores forças eleitorais. Lula continua extraordinariamente forte no estado. Mas a pesquisa mostra que a força de Lula não se transfere integralmente para Jerônimo. Esse talvez seja um dos fenômenos mais importantes desta eleição.

Gráfico 4

Lula domina a disputa presidencial na Bahia

Lula50%
Flávio Bolsonaro17%
Ronaldo Caiado4%
Augusto Cury4%
Rui Costa Pimenta2%
Outros4%

Cenário sem Pablo Marçal. Com Marçal incluído, Lula chega a 53%.

Lula tem uma vantagem de 33 pontos percentuais sobre Flávio Bolsonaro. É uma diferença monumental. A Bahia continua sendo um dos territórios eleitorais mais favoráveis ao presidente.

E aqui surge uma pergunta incômoda para o PT: se Lula tem 50% e Jerônimo tem 37%, onde estão os 13 pontos de diferença?

O contraste revela que existe um eleitorado baiano capaz de votar em Lula para presidente e, ao mesmo tempo, considerar outra alternativa para governador. Isso desmonta qualquer estratégia baseada na ideia de que a transferência de votos será automática. Não será.

Gráfico 5

Aprovação x intenção de voto

Lula

Aprovação59%
Intenção de voto (presidente)50%

Jerônimo Rodrigues

Aprovação57%
Intenção de voto (governador)37%

Os dois governos possuem avaliação positiva. Mas Lula transforma sua aprovação em 50% de intenção de voto presidencial, enquanto Jerônimo aparece com 37% na corrida estadual. Essa diferença é politicamente reveladora.

O eleitor não vota apenas em partido. Vota em pessoas, governos, expectativas, problemas locais, segurança, saúde, educação, emprego, infraestrutura e, principalmente, em sua percepção sobre o futuro.

O Senado pode produzir uma fotografia diferente

Se a disputa pelo governo está equilibrada, a corrida pelo Senado apresenta uma situação aparentemente mais favorável ao PT. Rui Costa aparece com 23%, seguido por Jaques Wagner, com 17%.

Gráfico 6

Senado: Rui Costa larga na frente

Rui Costa23%
Jaques Wagner17%
Indecisos22%
Branco/nulo20%
João Roma7%
Angelo Coronel5%
Outros4%

Mas há uma peculiaridade que precisa ser lembrada: em 2026, o eleitor baiano escolherá dois senadores. Portanto, não se trata de uma corrida tradicional de um único vencedor.

A pesquisa consolidada combina as duas escolhas. Na primeira opção, Rui Costa chega a 33%, Wagner a 13% e João Roma a 11%. Na segunda, Wagner aparece com 20%, Rui Costa com 14%, enquanto os indecisos chegam a 26%.

Isso muda completamente a estratégia eleitoral. Rui Costa parece ter uma posição especialmente forte como primeira escolha. Wagner, entretanto, demonstra capacidade importante como segunda opção. A dupla petista, portanto, parte de uma posição competitiva.

Mas existe um problema: 22% ainda estão indecisos e 20% afirmam votar branco, nulo ou não votar. Há muito voto para disputar.

A rejeição de Wagner e Rui é o calcanhar de Aquiles

A pesquisa também apresenta um alerta para o PT. Jaques Wagner registra 40% de rejeição, enquanto Rui Costa aparece com 36%.

Gráfico 7

Rejeição dos candidatos ao Senado

Jaques Wagner40%
Rui Costa36%

Isso significa que a vantagem eleitoral dos dois petistas para o Senado convive com níveis elevados de resistência. Em uma eleição com duas vagas, isso pode ser decisivo. O eleitor pode gostar de Rui e não gostar de Wagner. Pode gostar de Wagner e rejeitar Rui. Pode escolher um petista e um candidato de outra corrente.

A eleição para o Senado será, portanto, uma eleição de composição.

O verdadeiro mapa eleitoral da Bahia

Quando juntamos todos os números, surge uma fotografia muito interessante. Para presidente: Lula está muito forte. Para governador: ACM Neto e Jerônimo estão tecnicamente empatados. Para senador: Rui Costa e Jaques Wagner lideram, mas há grande quantidade de votos ainda disponíveis.

Na aprovação: Lula e Jerônimo possuem avaliações majoritariamente positivas. Na rejeição: Jerônimo, Wagner e Rui enfrentam níveis relevantes de resistência.

Isso produz uma eleição que não pode ser explicada simplesmente pela velha divisão entre esquerda e direita. A Bahia de 2026 parece caminhar para uma eleição de voto cruzado. O mesmo eleitor pode votar em Lula, escolher ACM Neto para governador e ainda votar em Rui Costa ou Jaques Wagner para o Senado.

A política contemporânea ficou mais complexa.

A oposição também não pode se iludir

Seria igualmente equivocado interpretar a pesquisa como uma vitória antecipada de ACM Neto. O ex-prefeito de Salvador aparece à frente numericamente, mas dentro da margem de erro.

Além disso, Jerônimo possui uma máquina política poderosa, apoio do presidente Lula, uma ampla estrutura partidária e um governo aprovado por 57% dos baianos. O PT também tem uma história eleitoral profundamente consolidada na Bahia.

Portanto, a oposição tem uma oportunidade, mas não recebeu uma certidão de vitória. Recebeu uma porta aberta. Agora precisa atravessá-la.

E o PT?

O PT, por sua vez, precisa compreender que aprovação não é suficiente.

“Seu governo não está derrotado, mas seu candidato ainda não transformou toda a aprovação administrativa em intenção de voto.”

Esse é o problema central de Jerônimo. O governador precisa convencer o eleitor de que os próximos quatro anos serão melhores que os quatro primeiros. ACM Neto precisa convencer o eleitor de que representa uma mudança confiável.

E essa será a verdadeira batalha.

A eleição será decidida pelo eleitor que ainda não decidiu

Talvez o número mais importante de toda a pesquisa não seja os 40% de ACM Neto. Nem os 37% de Jerônimo. Nem os 50% de Lula. É o eleitor que ainda está procurando uma resposta.

Gráfico 8

Indecisão: estimulada x espontânea

Pesquisa estimulada13%
Pesquisa espontânea54%

Isso mostra que a eleição ainda está longe de estar cristalizada. O eleitor baiano está ouvindo. Está comparando. Está esperando. E, principalmente, está avaliando o que cada candidato pretende fazer com o futuro da Bahia.

A Bahia não está escolhendo apenas entre dois nomes

No fundo, a eleição de 2026 será uma disputa entre duas narrativas. De um lado, haverá quem diga que a Bahia precisa continuar o projeto político que governa o estado há anos. Do outro, haverá quem diga que chegou a hora de experimentar uma mudança de comando.

Mas existe uma terceira posição, talvez muito maior do que os partidos imaginam: o eleitor que não quer simplesmente continuidade nem mudança por mudança; quer resultado.

Quer segurança. Quer emprego. Quer saúde. Quer educação. Quer estradas. Quer infraestrutura. Quer combate à pobreza. Quer desenvolvimento econômico. Quer serviços públicos que funcionem. E quer, sobretudo, sentir que o governo está olhando para a vida real. É esse eleitor que decidirá a eleição.

A minha leitura

Se a eleição fosse hoje, eu diria que ACM Neto possui uma vantagem numérica e um momento favorável, mas não uma vantagem eleitoral consolidada. Jerônimo Rodrigues continua absolutamente competitivo.

O governador tem aprovação elevada, Lula continua extremamente forte na Bahia e o PT mantém uma estrutura eleitoral poderosa. Entretanto, ACM Neto conseguiu algo que parecia mais difícil alguns meses atrás: transformar a eleição estadual em uma disputa efetivamente aberta. E isso já é um fato político.

Para o PT, a pesquisa é um alerta. Para ACM Neto, é uma oportunidade. Para Rui Costa e Jaques Wagner, é um sinal de força, mas também um aviso sobre a rejeição. Para Lula, é a confirmação de que a Bahia continua sendo um território eleitoral extraordinariamente favorável.

E para o eleitor baiano, a mensagem é talvez a mais importante: a eleição ainda não está decidida.

A corrida começou. Os números estão na mesa. Agora começa a batalha pelas narrativas, pelas propostas e pelo voto daquele eleitor que hoje olha para todos os lados e ainda não encontrou uma razão definitiva para escolher.

Na Bahia de 2026, ninguém ganhou. Mas ninguém pode mais dizer que a eleição está definida.

E talvez seja justamente essa a principal notícia produzida pela pesquisa Quaest.

Fonte dos dados: Pesquisa Quaest/Rede Bahia, realizada entre 23 e 26 de agosto de 2026, com 900 eleitores, margem de erro de 3 pontos percentuais e nível de confiança de 95%, registro TSE nº BA-06206/2026.

#Bahia2026
#Eleições
#PesquisaQuaest
#ACMNeto
#Jerônimo
#Senado

Padre Carlos

Análise política e eleitoral