Geraldo Simões e a força incansável da esquerda baiana
Há homens que não apenas entram para a história; eles ajudam a lavrá-la na terra firme da realidade. No Sul da Bahia, quando a crise da vassoura-de-bruxa devastou os cafezais e cacauais, trazendo a fome e o desespero aos trabalhadores rurais, foi a voz do técnico agrícola Geraldo Simões que ecoou. Ele não era um político criado em gabinetes de mármore, mas um homem forjado no barro do chão da Ceplac, no suor dos camponeses e nas primeiras assembleias que ousaram desafiar o carlistamento coronelista que sufocava o estado.
Da terra ao mandato
Geraldo é a própria gênese do Partido dos Trabalhadores na Bahia. Foi ele quem carregou a estrela no peito quando o PT era uma ideia audaciosa e marginal, transformando Itabuna no bastião do povo, elegendo-se deputado e prefeito para dar dignidade aos invisíveis.
O espetáculo amargo do esquecimento
Ainda assim, a política institucional tem a memória curta e a ingratidão afiada. Nos últimos anos, vimos o espetáculo amargo da burocracia partidária tentar apagar a história de quem abriu os caminhos. As cúpulas estaduais, embriagadas pela conveniência de arranjos eleitorais do presente, tentaram empurrar para o esquecimento o homem que pavimentou a transição de poder na Bahia. Isolaram-no, negaram-lhe o espaço merecido e tentaram tratar sua trajetória como se fosse uma página descartável.
Quiseram jogá-lo fora. Pretenderam sepultar sua liderança e decretar o fim de uma era. Mas erraram no diagnóstico mais básico.
Eles esqueceram que Geraldo Simões não é uma folha seca que o vento do oportunismo carrega; Geraldo é semente.
Semente que não se compra
Semente desse mesmo projeto popular que hoje se vangloria no poder. Semente de uma esquerda orgânica que não se compra com cargos, nem se rende às conveniências de momento. Semente incrustada na alma do trabalhador baiano que se lembra de quem esteve ao seu lado nos piores momentos de incerteza.
Ao romper as amarras com o PT e refundar sua caminhada no PSOL em 2026, Geraldo provou que o seu compromisso nunca foi com uma sigla, mas com o seu povo e com a sua ideologia. As cúpulas podem fechar as portas dos diretórios, mas não têm o poder de apagar a marca que um verdadeiro líder deixa no coração da sua gente.
Germinar de novo
Tentaram enterrá-lo na sombra, sem perceber que estavam apenas o plantando de novo. E semente não se mata — germina, brota e renasce para continuar lutando.
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Geraldo Simões
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Padre Carlos — Teólogo, filósofo e colunista político — Política e Resenha





