Política e Resenha

Uma Câmara para todos: Ivan Cordeiro e o exercício democrático da Presidência

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ARTIGO DE OPINIÃO

Ivan Cordeiro e a política que aprendeu a conversar

Padre Carlos

Há uma diferença importante entre ocupar a Presidência de uma Câmara de Vereadores e exercer, de fato, a liderança de uma Casa Legislativa. O primeiro é um cargo. O segundo exige capacidade de ouvir, negociar, administrar divergências e compreender que democracia não significa pensar igual, mas saber conviver com opiniões diferentes.

É nesse ponto que a passagem de Ivan Cordeiro pela Presidência da Câmara Municipal de Vitória da Conquista merece ser analisada.

Uma Presidência construída pelo diálogo

Ivan assumiu a presidência para o biênio 2025-2026 depois de receber 15 dos 23 votos na eleição realizada em janeiro de 2025. Desde o início, apresentou como princípio uma gestão compartilhada e afirmou que pretendia ouvir vereadores de diferentes bancadas e posições políticas.

Fonte: Câmara Municipal de Vitória da Conquista — eleição da Mesa Diretora para o biênio 2025-2026.

Mais importante do que o discurso inicial, entretanto, é observar como esse princípio apareceu na condução cotidiana do Legislativo.

“Democracia não significa pensar igual. Significa criar condições para que diferentes pensamentos possam conviver, dialogar e participar das decisões.”

O presidente de todos

Presidir uma Câmara com diferentes partidos, diferentes interesses e diferentes visões sobre os problemas da cidade não é tarefa simples. A democracia parlamentar exige que o presidente compreenda que a pauta pertence ao conjunto dos vereadores e que a Presidência não pode ser transformada em instrumento de uma única corrente política.

Nesse aspecto, Ivan Cordeiro construiu uma imagem pública de diálogo.

Em fevereiro de 2025, ao abrir os trabalhos legislativos, afirmou que pretendia ser o presidente de todos os vereadores e vereadoras, sem distinção, e destacou o diálogo permanente com a bancada de oposição. Na mesma ocasião, anunciou a intenção de estruturar a Bancada Feminina, iniciativa que posteriormente foi apresentada pela própria Câmara como uma das marcas de sua gestão.

Fonte: Câmara Municipal de Vitória da Conquista — abertura dos trabalhos legislativos de 2025.

“Democracia não se mede apenas pelo resultado de uma votação. Mede-se também pela maneira como a maioria trata a minoria.”

Uma Câmara democrática precisa permitir que o vereador governista fale, que o oposicionista questione, que o independente proponha e que todos possam participar da construção das decisões. O presidente deve organizar esse ambiente sem transformar divergência em inimizade.

E é justamente aí que a capacidade de diálogo se transforma em instrumento político-institucional.

Dialogar sem abrir mão da independência

Ao longo de 2026, Ivan também defendeu publicamente que projetos de maior impacto fossem discutidos com cautela, evitando que a pauta legislativa fosse conduzida simplesmente pela pressa do Executivo. Em entrevista, afirmou que a relação entre os Poderes deveria combinar diálogo e independência, deixando claro que a Câmara tem a obrigação de analisar, fiscalizar, aperfeiçoar e, quando necessário, questionar propostas do Executivo.

Fonte: Blog de Giorlando Lima — entrevista sobre projetos urbanísticos e atuação independente da Câmara.

“Saber dialogar sem abrir mão da independência institucional.”

Essa talvez seja uma das características mais importantes de uma Presidência legislativa: saber dialogar sem abrir mão da independência institucional.

O diálogo não significa concordância automática.

Ao contrário. Quem realmente acredita na democracia precisa compreender que uma boa conversa pode terminar em acordo, mas também pode terminar em desacordo. O que importa é que o processo seja respeitoso, transparente e institucional.

A escolha da próxima Mesa Diretora

Agora, a Câmara se prepara para uma nova eleição da Mesa Diretora. A votação está marcada para 2 de outubro de 2026, quando serão escolhidos os integrantes que conduzirão o Legislativo no biênio 2027-2028. O voto será aberto e a composição da Mesa deverá observar, tanto quanto possível, a proporcionalidade partidária.

Fonte: Câmara Municipal de Vitória da Conquista — definição da eleição da Mesa Diretora para o biênio 2027-2028.

Ivan confirmou que pretende disputar novamente a Presidência.

E é exatamente nesse momento que a política deve ser tratada com maturidade.

Por que a continuidade pode ser importante

A eventual recondução de um presidente da Câmara não deveria ser analisada apenas pela lógica das alianças partidárias ou pela matemática dos votos. Deve também considerar a forma como a instituição foi conduzida, o relacionamento entre os vereadores, a capacidade administrativa, o respeito às prerrogativas parlamentares e, sobretudo, a capacidade de construir consensos sem eliminar as divergências.

Ivan Cordeiro tem colocado o diálogo no centro de sua atuação. E esse aspecto precisa ser reconhecido como uma qualidade política importante.

Porque Vitória da Conquista não precisa de uma Câmara onde todos pensem da mesma maneira. Precisa de uma Câmara onde todos possam pensar, falar, discordar e participar.

A política brasileira já produziu confrontos demais e conversas de menos. Muitas vezes, a divergência deixou de ser uma ferramenta da democracia para transformar-se em combustível da intolerância.

Por isso, quando um presidente consegue sentar-se à mesa com diferentes grupos, ouvir posições distintas e procurar construir uma saída comum, esse comportamento tem valor institucional.

Uma Câmara plural

A própria trajetória da atual Mesa mostra essa característica de pluralidade: a composição reúne vereadores de diferentes partidos, incluindo PCdoB, MDB, PP, PSDB e PL.

Fonte: Sistema de Apoio ao Processo Legislativo — Câmara Municipal de Vitória da Conquista.

A democracia parlamentar não se fortalece quando todos concordam. Ela se fortalece quando pessoas que discordam conseguem permanecer sentadas à mesma mesa e continuar conversando.

Ivan e o desafio de continuar dialogando

No final, a decisão sobre quem deverá comandar a Câmara pertence aos vereadores. É deles a responsabilidade de avaliar o trabalho realizado e escolher, pelo voto, a composição da próxima Mesa.

Mas uma coisa pode ser afirmada: a capacidade de diálogo é um patrimônio democrático que não deveria ser desprezado pela política.

E, na Presidência de uma Câmara Municipal, saber ouvir pode ser tão importante quanto saber falar.

Ivan Cordeiro fez do diálogo uma marca declarada de sua gestão. Sua capacidade de conversar com diferentes setores, tratar os assuntos de pauta com disposição democrática e buscar entendimento entre posições distintas oferece à Câmara de Vitória da Conquista uma experiência que merece ser considerada pelos vereadores no momento da escolha da próxima Mesa.

Em democracia, liderança não é mandar sozinho.
É conseguir conduzir muitos, mesmo quando eles pensam diferente.

Se os vereadores entenderem que a continuidade desse estilo de condução pode contribuir para a estabilidade, o diálogo e o funcionamento institucional do Legislativo, um novo mandato de Ivan Cordeiro poderá representar a continuidade de uma experiência marcada pela disposição de conversar, ouvir e construir.

E isso, no fim das contas, pode ser bom não apenas para a Câmara, mas também para Vitória da Conquista.

IVAN CORDEIRO
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VITÓRIA DA CONQUISTA
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Padre Carlos
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