POLÍTICA E RESENHA • ARTIGO DE OPINIÃO

O voto conquistense: o diferencial que a Bahia não pode ignorar
Por Padre Carlos
Vitória da Conquista não é apenas mais um ponto no mapa do interior baiano. É o terceiro maior colégio eleitoral do estado, um polo regional que concentra influência política e eleitoral no Sudoeste. E é justamente por isso que ACM Neto volta às ruas da cidade nesta quarta-feira (30) para a terceira grande mobilização de campanha ao lado da prefeita Sheila Lemos. A sequência de atos — caminhada em 29 de agosto, carreata de 20 quilômetros em 6 de setembro e agora nova carreata saindo da Vila Serrana — não é casual. É estratégia. Porque o voto conquistense tem peso. E a história recente das urnas prova isso com números claros.
2022: duas disputas, escolhas distintas
Nas eleições de 2022, o município mostrou uma face particular do eleitorado baiano. No segundo turno da disputa presidencial, Lula (PT) venceu com 117.516 votos, equivalentes a 58,31% dos válidos. Bolsonaro ficou com 84.019 (41,69%). No primeiro turno, o petista já havia liderado com 111.892 votos (55,40%). Ou seja: Conquista é território de Lula.
Mas o mesmo eleitorado, no mesmo dia, deu a ACM Neto uma vitória ainda mais contundente na disputa pelo governo do estado. No segundo turno, Neto obteve 119.665 votos (59,05%), contra 82.995 de Jerônimo Rodrigues (PT), ou 40,95%. No primeiro turno, já havia liderado com 91.460 votos (46,89%).
Presidência • segundo turno de 2022
Percentual dos votos válidos • escala de 0 a 100%
Lula: 58,31% — 117.516 votos
Bolsonaro: 41,69% — 84.019 votos
Vitória da Conquista. Diferença: 33.497 votos a favor de Lula.
Governo da Bahia • segundo turno de 2022
Percentual dos votos válidos • escala de 0 a 100%
ACM Neto: 59,05% — 119.665 votos
Jerônimo Rodrigues: 40,95% — 82.995 votos
Vitória da Conquista. Diferença: 36.670 votos a favor de ACM Neto.
Os números falam por si. Na mesma cidade em que Lula superou os 58%, ACM Neto chegou a quase 60%. Não se trata de contradição ideológica simplista. Trata-se de um eleitorado que distingue níveis de governo, que valoriza gestão e que rejeita a ideia de que o voto no presidente da República necessariamente se estenda ao governador. Conquista demonstrou, em 2022, que o voto “Neto” e o voto “Lula” podem coexistir — e que a força do primeiro, no plano estadual, é real e mensurável.
Na mesma cidade em que Lula superou os 58%, ACM Neto chegou a quase 60%.
2024: a força da liderança municipal
Dois anos depois, a eleição municipal de 2024 reforçou o recado. Sheila Lemos, do União Brasil, foi reeleita em primeiro turno com 116.488 votos (58,83% dos válidos). O candidato do PT, Waldenor Pereira, ficou com 52.947 votos (26,74%). Foi uma surra. Mais do que o dobro de votos. Uma diferença de quase 64 mil sufrágios que escancarou o desgaste da máquina petista no município e a consolidação de uma liderança local alinhada ao grupo de ACM Neto. A prefeita não apenas venceu: dominou. E colocou a gestão municipal no centro do tabuleiro da oposição ao governo estadual.
Prefeitura • primeiro turno de 2024
Percentual dos votos válidos • escala de 0 a 100%
Sheila Lemos: 58,83% — 116.488 votos
Waldenor Pereira: 26,74% — 52.947 votos
Recorte dos dois candidatos citados no artigo; os demais não estão representados. Diferença: 63.541 votos e 32,09 pontos percentuais.
2026: Conquista no centro da estratégia
Agora, na reta final da disputa de 2026, a presença de Neto, Sheila Lemos, Zé Cocá, Ângelo Coronel, João Roma e lideranças regionais nas ruas de Conquista não é apenas mais um ato de campanha. É a demonstração de que o município continua sendo peça-chave. O voto conquistense pode ser o diferencial. Em uma eleição apertada, em que cada milhar conta e em que o interior decide, o Sudoeste baiano tem potencial de inclinar o resultado. A cidade já mostrou, em 2022 e em 2024, que sabe separar o joio do trigo: apoia quem entrega resultado local e quem apresenta alternativa estadual.
ACM Neto volta a Conquista porque sabe o que os números dizem. Porque a prefeita que deu a surra no PT dois anos atrás está ao seu lado. Porque a sequência de mobilizações transforma a cidade em palco permanente de uma campanha que se recusa a ceder o interior ao adversário. E porque, no fim das contas, o eleitor de Vitória da Conquista já provou que é capaz de surpreender — e de decidir.
O próximo governador da Bahia pode ser escolhido também nas avenidas e praças de Conquista. Os números de 2022 e 2024 não mentem. O voto conquistense é forte. E, desta vez, ele pode fazer a diferença.
Nota dos gráficos: elaborados com os dados fornecidos no texto original, sem checagem independente. Percentuais referentes aos votos válidos em cada disputa. Resultados agregados não identificam o voto individual combinado para presidente e governador, nem constituem projeção para 2026.
Vitória da Conquista Eleições Bahia
Padre Carlos
Política e Resenha • Artigo de opinião



