Num domingo de outubro, estava sentado na Avenida Paulista, em São Paulo capital, apreciando a movimentação, quando de repente uma sirene soava cada vez mais alta à medida que se aproximava do lugar em que eu estava, chamando a atenção de todos. O trânsito consciente abria e ela passava incólume, seguindo o seu roteiro de urgência e esperança. Era uma viatura do corpo de bombeiros na sua importante labuta diária, correndo para socorrer algo ou alguém.
Ao passar, fiquei pensando naquela sirene que chamou a atenção de todos, quebrando a harmonia da bela avenida naquela manhã fria de domingo, em que um tímido sol no céu da bela São Paulo tentava chegar. Na minha condição de pensador, passei a meditar e a me perguntar quantas sirenes são apitadas em nossas vidas — e, para que as escutemos, há a premente necessidade de aumentá-las a cada dia. Mesmo assim, muitas vezes não as escutamos, devido a tanto barulho e a prioridades às vezes supérfluas.
Os sinais dentro de casa
Sentada perto de mim, e mesmo sem eu querer, uma senhora conversava sobre o sofrimento que o seu filho lhe causava. Afirmava ela que o pobre rapaz estava se entregando ao envolvimento com drogas. Fiz uma analogia entre a sirene que passava e o sofrimento daquela senhora. Quantas vezes, dentro de sua casa, as mostras e os sinais aconteceram e, como uma sirene, foram alarmados, sem que a família prestasse atenção a tempo de corrigir os rumos do que acontecia ao seu filho. Nesses casos, não acontece de um dia para outro: vem lentamente e, na maioria das vezes, adiamos as atitudes ou priorizamos outros acontecimentos, e depois choramos eternamente por não ter escutado as sirenes dos alarmes.
“É assim nas nossas vidas! São repletas de sirenes, e por isso precisamos estar atentos para não sermos surpreendidos.”
Lembrei-me de um dileto amigo que, segundo ele, fora surpreendido com o pedido de separação da sua esposa. Acompanhei o choque, a dificuldade para assimilar aquele acontecimento e as tormentas que ele atravessou: foi muito difícil a separação. Com certeza, quantos acontecimentos devem ter existido na vida dele, em sua convivência com a esposa. Eram sirenes ligadas, e ele, sem prestar a devida atenção, não as ouviu. Agora, da pior maneira, vieram as consequências: um pedido sacramentado de separação e as queixas e mais queixas advindas do passado recente, que o dileto amigo não ouviu. A sirene apitou inúmeras vezes, o relacionamento ficou em perigo, e ele não prestou atenção.
Sirenes em todas as esferas da vida
É assim nas nossas vidas! São repletas de sirenes, e por isso precisamos estar atentos, para não sermos surpreendidos e envoltos em situações desagradáveis simplesmente por não prestarmos atenção. É assim em nossas atividades, quando nos desleixamos do que fazemos, quando não somos profissionais. Assim também as pessoas que perdem seus empregos: na maioria das vezes a sirene toca o tempo inteiro, na maior altura, e elas a subestimam, quando só estava ali para alertá-las e chamar a atenção. É assim também em nossos relacionamentos, ao não estarmos atentos, ligados, avisados, para no momento certo tomarmos as devidas atitudes. É assim quando estamos dirigindo e a sirene da Polícia, do corpo de bombeiros ou das ambulâncias toca: temos que ajudar a abrir caminho e ficar atentos a atitudes que precisem ser tomadas.
O nosso planeta Terra grita de sofrimento a cada dia. Essa sirene está na maior altura, gritando por socorro, devido à sua utilização de maneira danosa e ao desequilíbrio que isso causa. Prevê-se o fim do petróleo dentro de trinta anos, se continuarmos nos passos em que estamos. O planeta não aguentará mais duzentos anos se continuarmos a destruí-lo da forma como estamos. Os cientistas são as sirenes que estão no mais alto som, a vibrar, e não estão sendo devidamente ouvidos.
Nós, pais, em relação aos nossos filhos, temos que entender que o momento é de estar alerta quando a sirene dos sinais toca, para não os perder nem deixá-los escapar para a destruição.
Nós, pessoas do bem, temos que estar atentos a mandatários ruins, incapazes e desonestos, para tomarmos as atitudes certas na hora do nosso voto e de opinarmos, sem que sejam necessárias as sirenes nos ensurdecerem. Assistimos a atitudes de imediatismo e esquecemos que temos que ajudar a preparar o nosso país para o futuro. As futuras gerações irão cobrar e pagar os nossos desleixos.
Nas nossas vidas cotidianas é preciso prestar atenção nas sirenes que nela apitam. É um grito de dor que precisa de ajuda, um amigo que precisa de apoio, pessoas que passam fome, crianças nas ruas, sem famílias, cheirando cola. A injustiça permeando o nosso dia a dia: tudo isso é sirene que apita o tempo inteiro e, muitas vezes, na maioria delas, sem a providência exigida.
A nossa consciência é uma sirene ligada o tempo inteiro, e é preciso praticar o bem e o amor entre irmãos para que ela não venha reclamar ou apitar, acabando com a nossa paz. O bem e o amor, a espiritualidade, a compaixão e a bondade são sirenes que apitam e precisam ser escutadas, pois esta é a única solução para todos os males que nos acometem. É preciso abrir caminhos em nossos corações para que esta sirene silencie, na certeza de que este caminho está prontamente aberto.
Desligar as sirenes
O nosso crescimento espiritual e como ser humano é refletido em nossas ações e atitudes. Com certeza o sofrimento é sempre presente, mas é nosso dever, e parte do crescimento, estarmos prontos para a superação. Sirenes, alertas, a nossa atenção: são chamados para o aprendizado de ação e atitude. Desliguemos essas sirenes, assim como os bombeiros e policiais após a chegada ao problema.
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