Blog Política e Resenha
A pedido do Blog Política e Resenha, o professor Durval Lemos Menezes escreveu um breve artigo analisando a marcante trajetória do Dr. Régis Pacheco, cuja história de vida e carreira política se entrelaçaram com o desenvolvimento de Vitória da Conquista.
Régis Pacheco, como se sabe, não era conquistense e muito menos soteropolitano, ou seja, da cidade de Salvador. Ele era do Recôncavo, ele era de Santo Amaro, formado em medicina, prestava serviço ao Governo do Estado naquela época, e foi encaminhado pelo governador para controlar ou combater um surto de doença provocado pela varíola e a febre amarela.
Aqui, chegando, ele foi recepcionado pelo homem mais rico da cidade naquela época, João Santos, com quem ficou hospedado. Recebendo todo o apoio do coronel João Santos, Régis Pacheco, usando os seus conhecimentos da medicina, conseguiu controlar o surto da doença varíola. E, como ele, nesse período em que estava hospedado na residência do coronel João Santos, passou a namorar a filha do coronel, casou-se com ela, conhecida como dona Santinha.
Recebeu de presente essa linda casa que, na época, era uma das mais belas residências de Conquista, onde hoje é o Casarão Régis Pacheco. Ele recebeu de presente o casarão e duas fazendas. Uma é onde hoje está o assentamento da Santa Marta, logo ali ao lado da UESB, e outra grande fazenda de pecuária em Itambé.
E ainda mais, o coronel João Santos ainda deu de presente, por incrível que pareça a expressão, mas esse é o fato real, o seu mais fiel homem da segurança, o Jagunço Marçal. Então, Régis Pacheco se sentia um rei dentro de Conquista.
Logicamente, homem rico que se tornou, não tinha necessidade de cobrar as consultas ou o tratamento das pessoas, que quase todas eram ou parentes do seu sogro ou protegidos por seu sogro. E assim tornou-se um homem caridoso, um homem bondoso, prestativo. Tornou-se presidente da associação, criou a associação ruralista em Conquista e logo se tornou, como fazendeiro, genro do mais rico coronel da época. Foi dono de farmácia, e desta forma, foi fácil, fácil se tornar prefeito de Vitória da Conquista.
A Ascensão ao Governo do Estado
Régis Pacheco tornou-se prefeito de Conquista. Jamais chegaria a governador do Estado, mas devido ao candidato Lauro de Freitas, que era apontado como provável ganhador das eleições, ter morrido em um acidente de avião, a população baiana, no seu sentimentalismo, ficou como uma espécie de órfã.
Aí, a habilidade das lideranças políticas em Salvador fez a indicação de Régis Pacheco, médico conceituado na região e genro de um dos homens mais ricos do interior da Bahia. Assim, Régis se tornou governador da Bahia. Ele jamais tinha pretensões de chegar politicamente aonde chegou. É como diz: “Os ventos sopraram a seu favor” ou “a sorte me bateu às portas”.
“Não foi um grande governador, mas também não foi ruim. Para Conquista, por exemplo, ele não foi um bom governador. A cidade que lhe deu tudo lhe deu prestígio, poder político e riqueza econômica…”
Ele foi bom governador para Ilhéus, onde construiu a ponte Ilhéus-Pontal e outras obras mais. Foi bom para Jequié, onde criou na época o famoso colégio que leva o seu nome, Colégio Régis Pacheco. Mas em Conquista, a Escola Normal foi indicação, solicitação do prefeito coronel Gerson Gusmão Sales, que solicitou do Governo do Estado, da Presidência da República e do Ministério da Agricultura uma escola técnica, porque a vocação regional de Conquista estava na pecuária.
Entretanto, o Ministério da Agricultura, junto com o Ministério da Educação na época, fizeram um estudo, e a viabilidade para Conquista seria uma escola normal para que se pudesse criar uma formação de professores para alfabetizar e educar a região do Planalto da Conquista. E quem fez a indicação no Congresso Nacional não foi Régis Pacheco como governador, foi um deputado pernambucano, Manoel Novaes, que se tornou uma espécie de imperador político do Vale do São Francisco.
A verba e a indicação para a construção da Escola Normal foram justamente através do deputado Manoel Novaes. Mas o seu reconhecimento como centro de educação foi uma outra luta que devemos ao deputado Adémar Pinheiro, que foi deputado estadual e secretário de Educação.
Pouco se deve a Régis Pacheco sobre a Escola Normal, e muito se deve a Gerson Sales, a Manoel Novaes e ao deputado Adémar Pinheiro. Eu tenho, inclusive, nos meus arquivos, uma carta do doutor Adémar Pinheiro encaminhando à sociedade conquistense, comunicando o reconhecimento da escola de formação de professores. Conquista é grata sim a Régis Pacheco, mas a Escola Normal tem outros mentores principai
O Outro Lado da Moeda: A Trágica História do Professor Tidinho
E com relação a Euclides Dantas, Conquista tem sido uma cidade rica, poderosa, culta, politizada, mas, às vezes, ingrata. É muito bonito a gente ouvir narrativas e arquivos que constam na UESB, mas é preciso contar a história completa.
Euclides Dantas nasceu em Salvador. Quem o trouxe para esta região foi Napoleão Ferraz, o homem que sonhou grande em fazer de Belo Campo a maior cidade da região do Sudoeste. Euclides Dantas trabalhou por um período como educador em Tremedal e Belo Campo, onde o famoso cientista Ubirajara Pereira (o ex-professor da Sorbonne e ex-cientista da ONU, o nosso amigo Bira) foi seu aluno.
Posteriormente, Euclides Dantas veio para Vitória da Conquista e tornou-se o grande mestre que deu régua e compasso para a educação local. Foi professor, mestre, educador, poeta e compositor — lembrando que a letra do belíssimo Hino de Vitória da Conquista é de sua autoria. Foi também fundadores da Ala das Letras e cronista respeitado. É bonito falar da cultura do Professor Tidião, como era carinhosamente chamado.
O esquecimento dos grandes mestres:
Nenhum arquivo público de Conquista relata que o nosso grande mestre da educação, Euclides Dantas, morreu cego e na miséria. Quando não tinha mais condições de lecionar, enfrentou graves dificuldades financeiras. Não tendo onde morar, um grupo de ex-alunos fez uma vaquinha para comprar um casebre para ele. Após sua morte, sua viúva continuou passando necessidades por muitos anos, esquecida pelos políticos que antes o aplaudiam.
Quando Raul Ferraz assumiu a prefeitura de Vitória da Conquista, sabendo que a viúva de Euclides Dantas (que era sua tia-avó) vivia em situação humilhante, encaminhou uma mensagem à Câmara de Vereadores pedindo a aprovação de uma pensão pós-morte para que ela pudesse sobreviver.
A Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista negou a aprovação da ajuda para a senhora viúva. Essa mesma Câmara onde hoje cada vereador custa mais de 70.000 reais por mês aos cofres municipais. Durma com um barulho desse. O que é a política, como as pessoas são úteis e como são descartáveis quando já não mais interessam.
O Fim da Vida de Régis Pacheco
Régis Pacheco chegou a Conquista como um jovem médico pobre e tornou-se rico ao casar com a filha do Coronel João Santos, recebendo o casarão e fazendas. Mas, no decorrer da vida, desfez-se do seu patrimônio e também morreu pobre.
Após se aposentar como deputado federal, morava no Estado de Goiás em uma casa comum, de piso cerâmico simples e sem forro, que pertencia à sua segunda esposa. Quando faleceu, o único dinheiro disponível que tinha era o da sua aposentadoria, nada mais.
Régis Pacheco não teve filhos com dona Santinha, mas com sua segunda esposa teve uma filha. Apesar de ter terminado seus dias de forma modesta em Goiás, ao falecer foi sepultado em Vitória da Conquista, cidade que amou e para a qual retornava todos os anos na festa da padroeira Nossa Senhora da Vitória.





