Reflexão · Inteligência Emocional
Por Edvaldo Paulo de Araújo — Política e Resenha
Todos nós somos carentes de incentivo! Muitas vezes temos a força do caráter e isso sobrepõe as dificuldades, mas às vezes sinto enormemente a falta de incentivo dos que me cercam.
Quando meus filhos ainda eram pequenos, os dois primeiros, senti necessidade de estudar um pouco como lidar na criação deles, com presença, amor e muita inteligência. Conheci o livro de Daniel Goleman, que fala que não basta ser forte. Ser forte sozinho cansa. Fala em usar as palavras e gestos de incentivo, de criação individual, de pensar com inteligência e de motivação que devemos imprimir nas pessoas que muitas vezes é alguém que nos admira e ama.
Ser forte sozinho cansa
A verdade é que aprendi a ser forte sozinho. A aguentar calado. A dizer “eu dou conta”. Dou mesmo. Mas por dentro, me sinto só e queria ouvir alguém dizer: “Vai, eu estou com você”.
É carência? É. Mas não é fraqueza. É humanidade.
No dia a dia, a gente cruza com pessoas famintas de motivação. O porteiro, a caixa do mercado, o filho adolescente, o marido cansado, a esposa sobrecarregada. Todo mundo lutando suas guerras em silêncio, esperando um olhar que diga: eu te vejo, eu acredito.
Mais uma vez Daniel Goleman, no livro Inteligência Emocional, fala sobre autocontrole, mas antes do controle vem o reconhecimento. Reconhecer que eu também preciso. Que não é feio precisar de um abraço, de um “você consegue”, de um “fica tranquilo, vai dar certo”.
Eu sei que quando falta incentivo de fora, a gente tem que criar um dentro. Mas até esse de dentro, um dia enfraquece se não for alimentado.
Por isso, meu caro leitor, decidi escrever isto: se ninguém te disse hoje, eu digo.
EU ACREDITO EM VOCÊ. Não porque você é perfeito. Mas porque você continuou, mesmo sem aplauso. Mesmo sem incentivo. Mesmo carente.
E continuar já é motivo suficiente para ser admirado.
O professor que nunca desestimulou
Tive um professor em minha vida! Meu amigo e um exemplo que segui pela vida. Durante nossa longa convivência, nunca ouvi dele uma palavra de desestímulo. Jamais, em tempo algum, qualquer gesto de criticar ou depreciar. Sempre, sempre o alerta com o incentivo, a opinião indicadora caso eu pedisse ajuda.
CARLOS FERNANDO SÁ NASCIMENTO! Um grande homem, um exemplo, um incentivador.
Quando assumi uma tarefa hercúlea, quase todos achavam impossível, e alguns com quem convivo só criavam dificuldades. Quando o visitei, o que sempre fazia na fase da doença, contei a ele, quase em busca de apoio, e ele me disse textualmente:
Palavras que ficaram
“Se você não conseguir, ninguém conseguirá.”
— e, meses depois, na última visita —
“Tinha certeza que você conseguiria.”
Fui altamente vitorioso depois de longos meses de luta. Saí dali emocionado e não sabia que não mais o veria. Quando soube da sua partida, eu que sou chorão, não chorei, pois não queria vê-lo daquela forma. Movido também por conversas nossas, no passado, no restaurante do bacalhau do Firmino, em Salvador.
Guardo eternamente no meu coração a sua passagem pela minha vida! Onde ele estiver, sei que sente esse carinho e esse afeto que tenho por ele. A nossa convivência, mesmo não sendo tão longa como temos com algumas pessoas, foi de elevada e sempre crescente admiração e afeto. Sempre foi uma convivência de diálogos inteligentes, de aprendizado, para mim, na época bem mais jovem.
Você, amado amigo Fernando, sempre foi um incentivador da minha existência e do meu jeito de ser, de ver e de proceder. O guardo sempre no meu coração e nas minhas orações.
Dois tipos de pessoas no caminho
No livro de Goleman, aparecem os dois extremos: um que te regula emocionalmente, ainda garoto, para cima, e outro que te puxa o tempo inteiro para baixo. Isso é a vida real da inteligência emocional.
Sou agradecido a um que me moldou para ser gente humana. Como disse: desse eu quero sempre lembrar, um mestre diferente, totalmente voltado a fazer crescer. O que guardo no coração, bem mais velho que eu, foi meu patrão, depois meu sócio, depois meu grande amigo. Mas acima de tudo, foi um homem a quem guardo o mais alto nível de consideração. Nos momentos difíceis, ele não oferecia só trabalho e cobrança. Ele me oferecia confiança. Quando eu duvidava de mim, ele dizia com os olhos: “Eu acredito em você”.
Incentivo não é elogio vazio, é acreditar junto.
Edvaldo Paulo de Araújo
Na vida há pessoas como Fernando, o que eu quero ser para os outros. Alguns me mostraram, e me mostram todos os dias, o que eu nunca quero ser.
Todos os dias vamos encontrar dois tipos no nosso caminho. A diferença é quem a gente deixa morar dentro de nós. Escolho sempre aquele que me incentiva e, se tiver uma crítica, a faça com a inteligência do crescimento. O outro tipo, respeito, mas não deixo jamais entrar em minha alma.
Incentivo não custa dinheiro
No fim das contas, tudo se resume a isso: incentivo. Não custa dinheiro. Não precisa de diploma. Não precisa de cargo. É um “bom dia” com vontade e alegria. É um “você fez bem feito”. É um “tenta de novo, vai dar certo”.
Eu aprendi que quem incentiva, cura. E quem desestimula, adoece a si mesmo e aos outros.
A pessoa que me incentivou me deixou uma herança que dinheiro nenhum paga: a crença de que eu sou capaz. Essa herança eu carrego e tento passar para a frente.
Você que me lê: não sei da sua luta. Não sei do seu dia. Mas de uma coisa eu sei:
EU ACREDITO EM VOCÊ!
Se ninguém o incentivou hoje, espero em Deus que este texto seja o seu incentivo.
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Edvaldo Paulo de Araújo — autor convidado — Política e Resenha





