
Por Padre Carlos
O ar ainda vibra com a leveza de sorrisos e a cadência de abraços calorosos. Participar de mais uma edição do Encontro dos Miguelenses não é meramente comparecer a um evento; é mergulhar em uma fonte de comunhão que nos recarrega a alma. Mas, como articulista, pergunto: o que faz este momento ressoar com tamanha profundidade em nossos corações, transformando um simples encontro em um marco de afeto e identidade?
A resposta, acredito, reside na alquimia perfeita entre o sagrado e o humano. A Missa, conduzida com a sabedoria espiritual do padre Carmelito e celebrada junto ao Povo de Deus, na presença do querido diácono Zé Dias, não é um mero rito; é o alicerce espiritual que eleva o espírito coletivo. É o momento em que, ombro a ombro, reafirmamos nossa fé e nossa união sob a mesma bênção.
Contudo, a verdadeira magia se completa nos reencontros. Eles são os fios de uma tapeçaria antiga, a história de São Miguel das Matas, que se reativa em cada aperto de mão e em cada lembrança compartilhada. Ver laços antigos reacenderem, perceber que o tempo não apagou a essência das conexões, é o que confere a este evento uma dimensão atemporal.
O Vazio que Ensina e a Gratidão que Aquece
No entanto, a alegria da comunhão foi sutilmente temperada pela constatação das ausências – aqueles que, por questões de saúde ou compromissos inadiáveis, não puderam estar fisicamente presentes. Essa falta, longe de diminuir a luz do encontro, nos lança uma reflexão profunda sobre a fragilidade da vida. Ela nos ensina, de forma pungente, a valorizar cada presença, cada momento de partilha, como um presente irrecuperável.
E é desse vazio que nasce um desafio: como podemos, nós, a comunidade, tornar esses eventos ainda mais inclusivos? Como estender o calor dessa união para além dos limites físicos do encontro, assegurando que o espírito miguelense abrace a todos, mesmo os ausentes?
Minha gratidão, portanto, se dirige duplamente: aos que estiveram lá, oferecendo seu sorriso e sua energia para colorir o dia; e àqueles que, mesmo distantes, permaneceram em nossos corações, lembrados em orações e saudações. Vocês são a prova de que o amor e a união da nossa gente não conhecem barreiras geográficas ou de saúde.
A Dedicação do Amor e o Legado que Inspira
É impossível falar da leveza e da magia do Encontro sem enaltecer a organização. Cada detalhe, cuidadosamente planejado, era um testemunho silencioso do amor pela comunidade. Pessoalmente, fui tocado pela dedicação incansável dos voluntários e pelo sorriso acolhedor que desarmava qualquer formalidade. Esse trabalho coletivo, essa atenção minuciosa, é o espelho mais fiel do nosso profundo senso de pertencimento. É a manifestação prática do amor por nossa história. Que esses esforços sirvam de inspiração para que todos nós nos sintamos convidados a contribuir mais ativamente para a vida comunitária.
Olhando para o futuro, somos guiados pela memória de nossos pilares. A menção ao patriarca Gedel que não pode está presente por motivo de saúde e à matriarca Zorilda que não está mais entre nós, evoca um legado que é a própria essência desses encontros. A lição de união e amor de tia Zorilda não é uma relíquia do passado; é uma bússola moral que deve continuar a guiar cada edição. Seu espírito nos lembra que somos mais fortes quando estamos juntos, tecendo uma rede de apoio inquebrável.
O Convite para a Eternidade da Memória
Para o próximo ano, com a promessa de ainda mais vozes celebrando essa rica história, o meu convite é um apelo à alma:
“Se você tem raízes em São Miguel das Matas, ou se seu coração é tocado pela força da união e pelo calor do afeto verdadeiro, não hesite. O Encontro dos Miguelenses é mais do que um evento; é um pedaço da sua história esperando para ser vivido. Junte-se a nós para manter viva essa chama. Venha sentir a alegria que o tempo não pode apagar, e que o legado de união de Gedel e Zorilda continua a inspirar. Sua presença é o elo que falta na nossa história.”
A chama está acesa. Que o Encontro dos Miguelenses continue a ser o nosso farol de saudade, fé e inquebrável comunhão.




