
Por Padre Carlos
Anotem aí: o governador Jerônimo Rodrigues (PT) estará mais uma vez em Vitória da Conquista. É a segunda visita em menos de quinze dias. O motivo agora é o Programa de Governo Participativo (PGP), um projeto que, segundo o governo, existe para ouvir a população e definir as prioridades dos próximos anos.
Na sexta-feira, Jerônimo participa de um encontro com jovens, artistas e movimentos sociais na Casa Rafik, no bairro Recreio. No sábado, estará na Igreja Rainha da Paz, no bairro Patagônia, acompanhado de prefeitos, vereadores, deputados, do senador Jaques Wagner e do ministro Rui Costa. O discurso é o mesmo: ouvir o povo para construir o Plano Plurianual (PPA) e o Plano de Desenvolvimento Integrado (PDI).
Tudo isso parece muito bonito.
O problema é que essa história não é novidade. Há mais de vinte anos os governos do PT fazem praticamente a mesma coisa. Reúnem milhares de pessoas, promovem encontros, escutam sugestões e prometem que tudo será levado em conta no planejamento do Estado.
Foi assim com Jaques Wagner, depois com Rui Costa, depois com Jerônimo Rodrigues e agora, mais uma vez, o roteiro se repete.
A pergunta que muita gente faz é simples: o que realmente saiu do papel depois de tantos encontros e tantas promessas?
Se tudo aquilo que foi discutido nas últimas duas décadas tivesse sido colocado em prática, a Bahia certamente estaria em uma situação muito melhor. O Estado ainda enfrenta graves problemas na segurança pública, no desemprego, na saúde, na educação e na infraestrutura. Então, fica a dúvida: onde foram parar todas aquelas propostas apresentadas pela população?
Na prática, esses eventos parecem servir mais para fortalecer alianças políticas do que para resolver os problemas do Estado. Reúnem lideranças, prefeitos, deputados e militantes, reforçam apoios e movimentam a base do governo.
Enquanto isso, muitos dos problemas antigos continuam sem solução.
O cidadão comum não precisa participar de dezenas de reuniões para saber o que falta na Bahia. Ele sabe que precisa de hospitais funcionando melhor, escolas com ensino de qualidade, estradas em boas condições, mais empregos e mais segurança nas ruas.
Essas necessidades já são conhecidas há muito tempo.
Mesmo assim, a cada quatro anos, tudo recomeça. Novas reuniões são organizadas, novos discursos são feitos e novas promessas são anunciadas. O ciclo se repete como se nada tivesse acontecido antes.
A participação popular é importante e faz parte da democracia. Mas ela só faz sentido quando aquilo que a população pede realmente se transforma em ações concretas.
Caso contrário, os encontros acabam sendo apenas grandes eventos políticos, com muitos discursos, muitas fotos e poucos resultados.
E assim, de quatro em quatro anos, o espetáculo continua, enquanto muitos baianos ainda esperam que as promessas finalmente saiam do papel.




