Política e Resenha

A Riqueza que Sobra e a Pobreza que Insiste

Artigo de Opinião — Análise Econômica e Social

 Um Diagnóstico Técnico e um Plano de Combate à Desigualdade na Bahia e no Brasil

Por  Natan da Carroceria, candidato a Deputado Federal pelo PSDB — Bahia

O
dado é frio, mas o impacto é humano: nos últimos dez anos, a fortuna do 1% mais rico do planeta cresceu como nunca antes na história registrada, somando aproximadamente R$ 185 trilhões. Esse valor, sozinho, seria suficiente para erradicar a pobreza extrema no mundo 22 vezes seguidas. Não escrevo este artigo para propor confisco de riqueza nem para alimentar discursos de ódio contra quem produz. Escrevo como candidato a Deputado Federal pelo PSDB na Bahia, com formação técnica e compromisso com dados, para fazer uma pergunta simples e incômoda: por que, tendo o Brasil arrecadado quase R$ 4 trilhões em impostos somente em 2025, a pobreza extrema ainda persiste entre nós?

A resposta não está na ausência de recursos. Está na ausência de prioridade política, de gestão eficiente e de transparência no gasto público. É isso que este artigo pretende demonstrar, com números, e é isso que proponho enfrentar como parlamentar.

1. O Tamanho do Problema: Diagnóstico Global e Nacional

Segundo os dados que motivam esta análise, cerca de 700 milhões de pessoas ainda vivem em situação de extrema pobreza no mundo. No Brasil, o indicador recuou de 4,4% para 3,5% da população — uma melhora real, mas insuficiente. Com uma população de aproximadamente 213 milhões de habitantes, isso significa que cerca de 7,45 milhões de brasileiros ainda vivem abaixo da linha de extrema pobreza. Em termos proporcionais, o Brasil concentra pouco mais de 1% de todos os pobres extremos do planeta.

Planilha 1 — Indicadores de Pobreza e Riqueza (Referência: últimos 10 anos / 2025)

Indicador Valor
Crescimento da fortuna do 1% mais rico (10 anos) R$ 185 trilhões
Custo para zerar a pobreza extrema global (1 vez) R$ 8,4 trilhões
Pessoas em extrema pobreza no mundo ≈ 700 milhões
Extrema pobreza no Brasil 3,5% da população (≈ 7,45 milhões de pessoas)
Participação do Brasil na pobreza extrema mundial ≈ 1,06%
Custo estimado para zerar a extrema pobreza no Brasil ≈ R$ 89 bilhões
Arrecadação federal de impostos em 2025 R$ 3,985 trilhões
Arrecadação média diária de impostos ≈ R$ 10,9 bilhões/dia

Gráfico 1 — Riqueza do 1% x Custo para Erradicar a Pobreza Global (R$ trilhões)

Fortuna acumulada pelo 1% mais rico — R$ 185 tri

Custo para zerar a pobreza global (1 vez) — R$ 8,4 tri

“Não precisamos taxar 22 vezes a fortuna dos bilionários para acabar com a pobreza no mundo. Precisaríamos de apenas uma fração dela — e, no caso do Brasil, de menos de 9 dias de arrecadação federal para zerar a extrema pobreza no país inteiro.”

2. O Brasil já tem o Dinheiro. Falta Prioridade.

Em 2025, a União arrecadou R$ 3,985 trilhões em tributos, o equivalente a uma média de R$ 10,9 bilhões por dia. Os R$ 89 bilhões necessários para erradicar a extrema pobreza no Brasil representam, portanto, menos de 9 dias de arrecadação federal. Colocando de outra forma: com a arrecadação de um único ano fiscal, seria tecnicamente possível zerar a extrema pobreza brasileira mais de 40 vezes.

O número que resume o problema

40+ vezes

É quantas vezes a arrecadação tributária de 2025, sozinha, seria capaz de erradicar a extrema pobreza no Brasil — caso houvesse gestão, foco e vontade política.

Gráfico 2 — Arrecadação Federal em 2025 x Custo para Zerar a Pobreza no Brasil

Arrecadação federal total em 2025 — R$ 3,985 tri (365 dias)

Custo para zerar a extrema pobreza no Brasil — R$ 89 bi (≈ 8 dias)

3. Meu Compromisso como Deputado Federal: Cinco Frentes Técnicas de Combate à Desigualdade

Como candidato pelo PSDB na Bahia, defendo que o combate à pobreza não depende de discurso, mas de engenharia orçamentária, transparência e execução. Proponho as seguintes frentes de atuação no Congresso Nacional:

I. Focalização real do gasto social — auditoria técnica e pública de todos os programas de transferência de renda e benefícios fiscais, com cruzamento de dados via CadÚnico e Receita Federal, eliminando sobreposições e fraudes que hoje desviam recursos de quem mais precisa.

II. Reforma da gestão orçamentária — criação de metas legais vinculantes de redução da extrema pobreza, com relatórios trimestrais obrigatórios ao Congresso, transformando o combate à pobreza em política de Estado, não de governo.

III. Simplificação tributária com justiça fiscal — apoio à reforma tributária que desonere a base da pirâmide e o consumo essencial, sem comprometer a arrecadação necessária às políticas sociais.

IV. Investimento em qualificação e trabalho — expansão de programas de capacitação técnica e profissionalizante na Bahia, articulados com o setor produtivo local, para que a saída da pobreza seja estrutural e não apenas assistencial.

V. Transparência absoluta — painel público, em tempo real, mostrando quanto é arrecadado, quanto é gasto e qual o impacto direto na redução da pobreza extrema em cada município baiano e brasileiro.

“O problema do Brasil nunca foi a falta de dinheiro. Foi a falta de coragem política para cobrar resultado de quem arrecada e gasta em nosso nome.”

4. Conclusão

Os números não deixam margem para retórica fácil. O Brasil tem, com sobra, os recursos necessários para erradicar a extrema pobreza dentro de suas próprias fronteiras. O que falta é gestão técnica, foco orçamentário e responsabilidade política. É esse compromisso que assumo publicamente como candidato a Deputado Federal pelo PSDB na Bahia: transformar arrecadação em resultado, e resultado em dignidade para quem mais precisa.

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Natan Da Carroceria

Candidato a Deputado Federal — PSDB/BA