
Por Padre Carlos
Há momentos na vida política de uma nação em que a inércia se torna cumplicidade e a omissão, um ato de traição. O caso do deputado federal Eduardo Bolsonaro é um desses momentos emblemáticos em que o Parlamento brasileiro é chamado a se posicionar com firmeza, sob pena de agravar ainda mais a corrosão institucional que ameaça a democracia brasileira.
A atuação do deputado não pode ser tratada como mera opinião ou retórica política. Trata-se de um conjunto de ações e declarações que, ao longo dos anos, afrontam os princípios constitucionais, sabotam os interesses nacionais e alimentam uma lógica antidemocrática herdada de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. O mais recente episódio, no qual Eduardo articula ações nos EUA para prejudicar o Brasil em negociações comerciais, configura um ato de traição política à soberania nacional.
A cassação de seu mandato não deve ser vista como perseguição política, mas como resposta institucional à reincidência de práticas que colocam em risco a estabilidade do país. Quando um parlamentar atua deliberadamente contra os interesses de sua nação, utilizando-se de seu cargo para favorecer agendas estrangeiras ou pessoais, ultrapassa-se o limite da imunidade parlamentar e entra-se no campo da irresponsabilidade criminosa.
Eduardo Bolsonaro não está isolado. É parte de um projeto político que tentou, e ainda tenta, minar os pilares da República: o Judiciário, o Legislativo e a liberdade de imprensa. Ignorar essa ameaça é permitir que o extremismo continue corroendo os alicerces que sustentam nosso pacto democrático.
Não se trata apenas de punir um deputado. Trata-se de enviar uma mensagem clara: a democracia brasileira tem limites éticos e institucionais inegociáveis. A Câmara dos Deputados tem a chance de corrigir o erro histórico cometido há 25 anos, quando poupou Jair Bolsonaro de cassação após defender publicamente um torturador da ditadura. Repetir a omissão agora seria trágico e imperdoável.
A cassação de Eduardo Bolsonaro é necessária não por vingança, mas por responsabilidade. É um ato em defesa da ética pública, da soberania nacional e da credibilidade das instituições. Mais do que um gesto político, é um compromisso moral com o futuro do Brasil.
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