
Na tribuna da Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista, nesta quarta-feira, 8 de outubro, a vereadora Lara subiu ao púlpito com a convicção de quem carrega, não apenas um discurso, mas uma cruz — a da defesa incondicional da vida. Sua fala, marcada por emoção e firmeza, tocou em temas que desafiam não só a política, mas também a consciência moral e espiritual de uma nação inteira.
Logo no início, a vereadora expressou solidariedade à família de Júlia Toche, lembrando a brevidade da vida e o valor que cada existência, mesmo a mais curta, carrega. Mas o que se seguiu foi mais do que uma homenagem: foi um chamado à reflexão sobre o que estamos fazendo com as vidas que ainda nem começaram.
Lara trouxe à tribuna o debate sobre o Dia do Nascituro, data que celebra o direito à vida do ser humano ainda no ventre materno. Ao citar a Resolução nº 258 do Conanda, a parlamentar denunciou o que considera uma afronta à Constituição e ao Estatuto da Criança e do Adolescente — um dispositivo que, segundo ela, permitiria o aborto sem o consentimento da gestante ou dos responsáveis legais. A vereadora apelou pela aprovação urgente do Projeto de Decreto Legislativo nº 3, que visa suspender essa resolução e restaurar, nas suas palavras, “a dignidade das crianças por nascer”.
Mas foi ao abordar o tema da cistolia fetal — procedimento médico usado em abortos tardios — que Lara deu o tom mais contundente de sua fala. Descreveu com dureza o método, comparando-o ao sofrimento de uma execução cruel, e indagou: “Como podemos aceitar o que nem é permitido em pena de morte, nem em sacrifício de animais, ser praticado contra bebês dentro do ventre de suas mães?”
A imagem é dura, incômoda — e talvez seja justamente essa a intenção: sacudir uma sociedade anestesiada pela retórica do “meu corpo, minhas regras”, expressão que, segundo ela, ignora o corpo e a vida que crescem dentro de outro.
Ao mesmo tempo em que defendeu o direito à vida, a vereadora aproveitou para contextualizar a sua visão política, citando o legado do governo Bolsonaro e criticando duramente o atual governo federal, ao qual atribuiu o descontrole econômico e a corrosão moral das instituições. A fala, evidentemente, tem um viés ideológico nítido, mas isso não anula o mérito do debate que ela levanta — um debate ético, profundo e necessário.
Lara terminou com uma frase que ressoa além da política:
“Como posso acreditar em uma justiça que me deixou desprotegida na minha primeira fase de vida e agora orienta que eu mate o ser que foi gerado em meu próprio ventre?”
É uma pergunta que ecoa no coração de quem ainda acredita que a defesa da vida não é uma pauta partidária, mas um princípio civilizatório.
Em tempos de relativismos morais e discursos moldados por algoritmos, ouvir uma voz que se ergue em defesa dos indefesos é, por si só, um ato de coragem.
Podemos discordar da retórica, do partido, ou da ideologia — mas é impossível ignorar a verdade que pulsa por trás de cada palavra dita: a vida não é uma escolha. É um direito.
E, enquanto houver quem a defenda na tribuna, ainda há esperança de que o silêncio do ventre continue sendo ouvido antes que seja interrompido.
— Padre Carlos




