Política e Resenha

ARTIGO – 2025: O Ano em que o Leme Não Quebrou na Tempestade

 

 

(Padre Carlos)

2025 foi um ano duro, instável, desses que testam governos e sociedades como uma longa travessia em mar revolto. Logo em janeiro, a questão do Pix inaugurou uma sequência de turbulências que incluíram a inflação dos alimentos, pressões especulativas e, sobretudo, um Congresso cada vez mais capturado pelo fisiologismo do centrão, empenhado em “avacalhar” a República. Em meio a esse cenário, o presidente da Câmara, Hugo Motta, deu o tom de sua primeira grande manobra ao pautar o IOF de madrugada — gesto simbólico de uma política que opera nas sombras, distante do interesse público, seguido por uma enxurrada de projetos polêmicos e chantagens institucionais.

Ainda assim, o governo resistiu. Lula demonstrou resiliência política, capacidade de articulação e firmeza administrativa. Não foi pouca coisa atravessar 2025 mantendo indicadores econômicos e sociais em trajetória positiva, enfrentando um Congresso hostil e uma elite que não aceita perder privilégios. Ao final do ano, até o Jornal Nacional teve de reconhecer o trabalho do presidente e de sua equipe: os ministros da Fazenda, do Orçamento e Planejamento, além de Wellington Dias, à frente das políticas sociais, sustentaram um projeto que recolocou o Brasil nos trilhos do crescimento com inclusão.

Os números falam por si e são palavras difíceis de desmentir. O mercado de trabalho viveu seu melhor momento desde o início da série histórica do IBGE, em 2012. Em novembro, o desemprego caiu para 5,2%, caracterizando o chamado pleno emprego técnico. O país alcançou 103 milhões de pessoas ocupadas, com o menor contingente já registrado de brasileiros à procura de trabalho. A renda média do trabalhador chegou a R$ 3.574, o maior patamar da história recente. É nesse contexto que Pablo, auxiliar de convés contratado em outubro para monitorar a queima de fogos da virada em Copacabana, celebra seu primeiro emprego com carteira assinada. Ele não é estatística abstrata: é o rosto concreto de um Brasil que voltou a oferecer dignidade.

Comparar Lula com Jair Bolsonaro, à luz desses dados, é um exercício de honestidade intelectual. No governo Temer, o desemprego chegou a 13,7%. Com Bolsonaro, bateu 14,9%, enquanto 33 milhões de brasileiros enfrentavam a fome. O atual governo reverteu esse quadro, recuperou políticas públicas, fortaleceu programas sociais e devolveu esperança às periferias. Não há equivalência possível.

O grande obstáculo que se projeta para 2026 continua sendo o Congresso Nacional, que aqui não hesito em chamar de “inimigo do povo” quando atua contra o interesse coletivo. É obsceno o volume de recursos drenados para emendas parlamentares: enquanto os Correios enfrentam um rombo de cerca de 6 bilhões de reais, as emendas individuais somam 26 bilhões. Como bem observou o jornalista Otávio Guedes, vivemos a “sucupirização” do orçamento público, onde o dinheiro é pulverizado em obras paroquiais, sem planejamento nacional, apenas para alimentar currais eleitorais.

Outro gargalo estrutural são os Tribunais de Contas dos Estados, nos quais, não raramente, o voto do conselheiro ignora o parecer técnico. O Brasil segue inchado e saqueado por parcelas do sistema político e jurídico que pensam primeiro em si mesmas. Lula, para governar, é obrigado a negociar com figuras sem ideais, especialistas em chantagem, como ficou evidente no acordo firmado e depois descumprido na casa de Hugo Motta, mesmo após ministros e Fernando Haddad celebrarem uma suposta concordância.

É revelador observar governadores de oposição. Tarcísio de Freitas, por exemplo, com dívidas bilionárias em São Paulo, recuou e aderiu ao programa federal Propague, o mesmo que atacava. Ainda assim, segue sendo tratado como ícone de “responsabilidade fiscal”, apesar de ter entregue a Sabesp, institucionalizado a grilagem de terras e favorecido o agronegócio reacionário com patrimônio público a preço de banana — fatos denunciados pela Carta Capital e pela revista Piauí, mas convenientemente ignorados pelos jornalões, sempre solícitos quando o tema é privatizar Correios e Petrobras.

Tarcísio pediu 300 bilhões ao governo Lula. Zema, Cláudio Castro, Ronaldo Caiado e Eduardo Leite seguiram o mesmo caminho para refinanciar dívidas estaduais. Todos criticam Brasília em público, mas se agarram ao casco do navio federal quando a água começa a entrar.

No campo financeiro, o caso Banco Master escancarou outra ferida. Segundo informações do jornalista Valdo Cruz, houve forte tensão no STF durante a acareação envolvendo Daniel Vorcaro e dirigentes do Banco Central. Vorcaro, preso em novembro ao tentar fugir para Malta, pode estar envolvido em fraudes que chegam a 12 bilhões de reais. É preciso registrar: sua família financiou campanhas de Bolsonaro e Tarcísio, não as de Lula. A tentativa de colar o escândalo ao ministro Alexandre de Moraes carece de provas e serve apenas à narrativa da extrema direita. O episódio expõe, mais uma vez, como a autonomia do Banco Central tem servido mais aos banqueiros e à política de juros altos do que ao povo. Nesse contexto, a postura de Gabriel Galípolo soa como traição à confiança depositada pelo presidente.

O orçamento secreto, vale lembrar, nasceu no governo Bolsonaro, quando o então presidente se comportava como uma “rainha da Inglaterra”, assistindo passivamente à captura do Estado. Hoje, apesar das pedras no caminho, o Brasil cresce, recupera credibilidade internacional e volta a ser respeitado. Em 2026, Lula percorrerá o país, dialogando diretamente com a população, fortalecendo a democracia e enfrentando interesses entranhados.

A analogia é clara: o Brasil de 2025 foi um navio em tempestade. O governo segurou o leme, guiado por indicadores econômicos e sociais, enquanto Congresso e governadores de oposição atuaram como ventos contrários, tentando desviar a rota por interesses próprios. No fim, muitos desses ventos tiveram de se agarrar à estrutura do próprio navio federal para não afundarem com seus estados.

2025 não foi um ano fácil. Mas foi um ano em que o leme não quebrou. E isso, em tempos de tempestade institucional, já é uma vitória histórica.