
(Padre Carlos)
O Brasil celebrou mais um 7 de Setembro com o tradicional desfile cívico em Brasília. Entre as imagens que mais chamaram atenção, estava o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao lado da primeira-dama Janja, passando em revista às tropas no histórico Rolls-Royce presidencial.
O veículo, comprado por Getúlio Vargas em 1952, carrega consigo a memória de décadas da política nacional. Nele, já desfilaram autoridades como a Rainha Elizabeth II, Charles de Gaulle e presidentes que marcaram época. Ao reviver esse ritual, Lula se insere simbolicamente em uma linha histórica de líderes que, apesar das diferenças ideológicas, partilharam do mesmo protocolo de Estado.
Mais do que uma cena protocolar, o gesto é carregado de significados. O 7 de Setembro é a reafirmação da soberania nacional, e o comandante supremo das Forças Armadas passa diante da tropa para receber a continência que simboliza respeito à instituição presidencial. Esse ritual, repetido ano após ano, lembra que a democracia se sustenta também nos símbolos que unem a Nação.
Se por um lado há quem veja apenas a pompa, por outro é necessário compreender que o uso desse ícone, o Rolls-Royce, não é mero capricho: ele traduz a permanência das instituições acima de governos e partidos. O desfile não é do presidente, mas da República.
Em tempos de polarização, recuperar o sentido de unidade por meio desses ritos é mais que tradição: é um chamado para lembrar que o Brasil é maior do que qualquer disputa eleitoral.




