
(Padre Carlos)
Em apenas sete dias, três vidas foram ceifadas brutalmente no município de Itarantim, no Centro Sul baiano. Não foi em emboscadas em estradas desertas, nem em brigas de bar: os crimes aconteceram dentro das casas das vítimas. Três lares foram invadidos por homens armados e encapuzados, que chegaram atirando, como se a vida humana tivesse o mesmo valor de uma folha seca ao vento.
Essa não é uma história de ficção policial. É a realidade nua, crua e sangrenta de uma cidade que vive aterrorizada. E o mais grave: não é a única. Itarantim se tornou apenas mais um nome na longa lista de municípios baianos onde a insegurança virou rotina. Até quando vamos aceitar isso?
O primeiro a tombar foi Caik Santos Fernandes, de apenas 19 anos, assassinado no sábado à noite por dois homens que chegaram numa moto e invadiram sua casa atirando. Caik ainda foi socorrido, levado ao hospital, mas não resistiu. Dias depois, já na madrugada da quarta-feira (9), foi a vez de Aline Lima Souza, 33 anos, ser executada na frente dos três filhos — uma criança de 5 anos e dois adolescentes, de 15 e 17. Quatro criminosos armados invadiram sua residência no bairro Bob Kennedy e dispararam várias vezes. O terror se instalou.
Menos de 24 horas depois, a adolescente Nathalia Santana Almeida, de 17 anos, foi assassinada em sua casa, no centro da cidade, também a tiros. A mesma frieza. A mesma crueldade. O mesmo roteiro macabro que parece ter se tornado padrão no interior da Bahia. Um padrão que, segundo a Polícia Civil, está ligado ao tráfico de drogas e à disputa por territórios criminosos. Mas isso não é justificativa. É denúncia.
Se sabemos que a causa é o tráfico, por que o Estado não age com a firmeza que o momento exige? Se a prefeitura reconhece o colapso da segurança e diz que se reuniu com autoridades, cadê os resultados práticos? A verdade é que o povo está cansado de notas oficiais. O que se espera é presença real do Estado, inteligência policial, ação preventiva e repressiva contra o crime organizado.
Não estamos mais falando de pequenos furtos ou assaltos pontuais. Estamos diante de execuções planejadas, com características de grupo de extermínio. O crime está tomando conta das cidades pequenas com a mesma ousadia com que já domina as grandes. O interior, antes sinônimo de tranquilidade, agora vive sob o medo constante da próxima invasão, do próximo tiro, da próxima vítima.
E o governo? Vai continuar fingindo que é só mais um caso isolado? Vai continuar apostando no esquecimento da população, no silêncio das famílias, na passividade da imprensa?
Não podemos mais aceitar a normalização da barbárie. Não podemos assistir à escalada da violência como quem vê uma novela. Cada vítima tem nome, tem história, tem gente chorando por elas. O sangue derramado em Itarantim grita por justiça. Grita por uma política pública séria e estruturada de segurança. Grita por um Estado que não seja apenas retórico, mas presente.
Itarantim não pode ser mais uma estatística. A Bahia não pode continuar virando território livre para o crime. A omissão também mata. E neste caso, quem se cala diante da morte se torna cúmplice da violência.




