
Há movimentos que nascem como sonho coletivo e viram exigência moral. A duplicação da Rio-Bahia é um deles. Porém, o que era esperança concreta começa a se dissolver como neblina na primeira luz da manhã. A promessa oficial fala em leilão em 2026. Mas quando abrimos a lista real do governo, encontramos quatorze rodovias priorizadas — e, pasmem, a nossa não está lá. A BR-116, eixo vital do Sudoeste baiano, sequer aparece mencionada.
É impossível ignorar a sensação de que a Bahia foi retirada do mapa estratégico do país. Dói admitir, mas estamos fora do radar. E, ainda que nos queiram convencer do contrário, todos sabemos ler sinais. Quando não estamos na lista, não estamos no orçamento. Quando não estamos no orçamento, não estamos no futuro.
Sejamos realistas: mesmo que a Rota 2 de Julho fosse a 15ª prioridade — e isso já seria humilhante para quem carrega a economia de um estado inteiro — que destino nos aguardaria? Ser a décima quinta obra na fila é aceitar que a duplicação só acontecerá, na melhor das hipóteses, por volta de 2030. E isso se o vento soprar a favor.
A pergunta que ecoa é simples e devastadora:
Será que seremos a 15ª?
Ou nem isso?
Quando será?
Ou não terá “será”?
São questões que não podem ser silenciadas. Porque cada acidente, cada vida perdida, cada caminhão parado no acostamento é um lembrete amargo de que estamos pagando com sangue e paciência o descaso de Brasília.
O movimento continua. E continuará. Mas já não lutamos apenas por uma obra; lutamos contra o esquecimento. A duplicação da Rio-Bahia não pode ser uma miragem jogada para 2030. Ela é urgência, é sobrevivência, é justiça para uma região que produz, trabalha e sustenta parte significativa do PIB nacional.
E se o governo insiste em nos colocar na 15ª posição — ou fora da lista — cabe a nós colocar o tema no centro do debate público, elevar a voz, incomodar, exigir, pressionar. Porque quem vive às margens dessa estrada sabe:
a duplicação não é um luxo. É uma necessidade moral.
JOSÉ MARIA CAIRES
DUPLICA SUDOESTE




