
(Padre Carlos)
Não podemos dizer que a vinda da BYD para a Bahia foi obra do acaso. Muito pelo contrário — foi fruto direto da articulação política, da influência e da competência de líderes baianos que, nos bastidores do poder, souberam colocar o estado no mapa do futuro. O complexo industrial de Camaçari, agora renascido pelas mãos da gigante chinesa, é símbolo de uma vitória coletiva, de uma engenharia política e institucional que envolveu Rui Costa, Jaques Wagner e os senador Otto Alencar e Coronel.
Esses quatro nomes não apenas representam a Bahia — eles são, hoje, a expressão de um modelo político que alia estratégia, diálogo e visão de futuro. A BYD, que agora monta no estado os modelos Dolphin Mini, Song Pro e King, não chegou aqui por sorte, mas por confiança. Confiança no ambiente político, na capacidade de articulação e, principalmente, na estabilidade que os baianos petistas ajudaram a consolidar dentro do governo federal.
Nunca a Bahia esteve em uma posição tão privilegiada no cenário nacional. A força dos seus representantes na Esplanada dos Ministérios, somada à capacidade técnica e à influência política que Rui e Wagner construíram ao longo de décadas, fizeram da Bahia um estado ouvido, respeitado e decisivo nas grandes decisões do governo Lula.
Por isso, a saída de Rui Costa da Casa Civil precisa ser analisada com cuidado. Não é apenas uma mudança de cadeira. É, potencialmente, uma inflexão política que pode favorecer o grupo paulista dentro do PT — um grupo que, historicamente, já tentou “fritar” os baianos em diferentes momentos, subestimando sua importância estratégica. A verdade é que, enquanto Rui estiver ocupando a Casa Civil, a Bahia terá voz e vez nas articulações mais delicadas do Planalto.
A vinda da BYD é o exemplo mais concreto de como essa força baiana pode transformar o cenário econômico e industrial do país. Camaçari, que um dia viu a Ford ir embora deixando um rastro de desemprego e desolação, hoje renasce com uma das montadoras mais modernas do mundo, que aposta em energia limpa, tecnologia e sustentabilidade.
Esse projeto não pode — e não deve — ser transformado em uma conquista pessoal ou em moeda de troca política. Ele é patrimônio da Bahia e exemplo de como o Nordeste pode ser motor do desenvolvimento nacional. A fábrica da BYD é símbolo de um Brasil que olha para o futuro sem esquecer suas raízes regionais.
Que Rui, Wagner, Otto e Coronel sigam sendo vozes firmes na defesa da presença baiana dentro do governo. Porque, se há algo que a história já ensinou, é que a Bahia nunca se contentou em ser coadjuvante. Ela nasceu para liderar.




