Política e Resenha

ARTIGO – A Força de Quinho e a Política que Incomoda os Donos Antigos do Poder

 

 

 

(Padre Carlos)

Há momentos em que a política deixa de ser simples disputa eleitoral e se transforma em uma batalha pela manutenção do território — não o geográfico, mas o do poder. E é exatamente isso que está acontecendo com a ascensão de Quinho Tigre. O crescimento de sua influência regional, sua força eleitoral e sua capacidade de articulação têm tirado o sono de muito cacique antigo acostumado a controlar a Bahia com mão de ferro e alianças previsíveis.

Nos últimos dias, vimos um roteiro conhecido em períodos de pré-campanha: a fábrica de intrigas entrou em cena. Tentaram plantar na imprensa que o ex-prefeito de Belo Campo e pré-candidato a deputado estadual estaria dialogando com ACM e articulando uma suposta migração para a base da oposição. A jogada é velha, mas ainda usada: não podendo barrar o avanço, tenta-se desgastar a liderança.

O ataque, entretanto, produziu o efeito contrário. O governador Jerônimo Rodrigues não apenas rechaçou a especulação como elevou o tom ao afirmar que a sua amizade com Quinho transcende a política. E isso, no universo político baiano, não é frase ao vento: é recado. Recado para aqueles que imaginam que a eleição de 2026 será jogo de cartas marcadas e que podem manipular bastidores e imprensa para dividir aliados.

E para enterrar de vez a tentativa de boatos, o gesto que fala mais que qualquer discurso: após cumprir uma agenda extensa em Vitória da Conquista nesta sexta-feira, o governador deve participar de um jantar reservado na residência de Quinho. Nada é mais simbólico. O jantar, discreto e estratégico, representa a blindagem política e pessoal do pré-candidato — não pelo afeto apenas, mas pelo peso que tem no xadrez eleitoral da Bahia.

Se antes havia dúvidas sobre onde Quinho estaria em 2026, agora resta apenas a certeza de que ele será protagonista. O encontro de hoje tem uma direção clara: alinhamento político, manutenção de unidade e construção de pontes para o próximo ciclo eleitoral. Eleição não se vence com improviso, e Jerônimo e Quinho sabem disso. Há planejamento, há grupo, e sobretudo há um projeto de poder que não abre espaço para intrigas plantadas.

No fim das contas, o episódio expõe uma verdade desconfortável para os “donos do passado”: Quinho se tornou grande demais para caber dentro de antigas molduras. Sua presença incomoda, movimenta, desequilibra — e isso é exatamente o que os novos ciclos políticos fazem. A Bahia está mudando, e parte da política ainda não percebeu que o velho manual não funciona mais.

A tentativa de ruído virou amplificador. O ataque virou ato de consagração. E, mais uma vez, a regra se confirma: ninguém perde tempo tentando derrubar quem não ameaça. O fato de estarem tentando derrubar Quinho apenas prova o tamanho do seu crescimento.