
(Padre Carlos)
A história não é apenas um relicário do passado, mas um farol para o presente e um mapa para o futuro. Quando se trata da Igreja Católica, essa verdade se torna ainda mais eloquente, pois suas raízes fincam-se na alma de um povo. Por isso, o lançamento do livro História e Memória da Arquidiocese de Vitória da Conquista não é apenas um evento editorial: é um ato de resgate, valorização e reconhecimento de um patrimônio espiritual, social e cultural.
Na próxima terça-feira, dia 29 de julho, às 19 horas, a Câmara Municipal será palco dessa celebração da memória viva da fé conquistense. O livro, com 463 páginas ricamente organizadas, marca dois momentos cruciais: os 70 anos de criação da Diocese e os 25 anos da constituição da Província Eclesiástica, marcos que não apenas delimitam datas, mas também traduzem décadas de evangelização, compromisso pastoral e atuação transformadora.
A iniciativa, proposta pelo ex-arcebispo Dom Josafá Menezes, com a organização cuidadosa do diácono Luciano Lima Santana e da professora Ana Palmira Casimiro, mergulha em arquivos, entrevistas, símbolos e relatos de fé. É um verdadeiro “evangelho da memória”, dividido em três seções — História, Memória e Dados — que permitem ao leitor transitar entre o testemunho institucional e a vivência popular da fé.
É essencial ressaltar que o livro não se limita à narrativa clerical. Ele ecoa vozes de fiéis, relatos de resistência, momentos de dor e de festa. Traz registros sobre a criação de paróquias, atuação de religiosos e religiosas, bispos e arcebispos, além de um inventário de símbolos e hinos que compõem a identidade da Igreja local. Um tesouro para os que se dedicam à pesquisa histórica, à educação religiosa e ao fortalecimento da identidade católica em nossa região.
Como destacou Dom Vitor Agnaldo de Menezes, atual arcebispo, o material é resultado da colaboração de vários segmentos da Igreja. Isso amplia a representatividade e garante que a obra seja um espelho da pluralidade que forma o rosto da Arquidiocese.
Mais que um livro, esse lançamento é um chamado à memória. Em tempos de tanta superficialidade, recordar a história da Igreja é também recordar a luta por justiça social, o acolhimento dos pobres, a resistência diante das ditaduras e o protagonismo em momentos cruciais da história da Bahia.
Ao abrir esse evento à população, a Arquidiocese convida toda a sociedade a olhar com respeito para sua trajetória e reconhecer que, sim, a Igreja teve e tem um papel determinante na formação ética, cultural e espiritual de Vitória da Conquista e seu entorno.
Que este livro não seja apenas lido, mas celebrado. Que ele inspire novas gerações de cristãos, intelectuais, religiosos e líderes comunitários. Porque uma Igreja que sabe contar sua história é também uma Igreja que sabe construir o futuro.




