
Há textos que não pedem apenas leitura; exigem posicionamento. O artigo assinado por Gilberto Ferreira Luna é um desses. Pela densidade ética, pela elegância intelectual e, sobretudo, pela coragem moral, trata-se de um exercício legítimo de análise política em um tempo marcado por ruídos, ressentimentos e distorções deliberadas. Por isso, registro publicamente meus cumprimentos ao autor e afirmo, sem ambiguidades: concordo integralmente com suas teses e com o espírito que as sustenta.
O texto de Gilberto Luna recoloca a política em seu lugar correto: não como arena de ódios pessoais, mas como espaço de reflexão, responsabilidade e compromisso com a verdade. Ao analisar a atuação da vereadora Gabriela Garrido, o autor faz o que muitos evitam — separa quantidade de qualidade, número de consciência, máquina de caráter. E aqui reside um ponto central com o qual me alinho plenamente: votos de opinião têm um valor político e moral incomparavelmente superior aos votos fabricados por estruturas clientelistas e currais eleitorais. Eles não nascem do favor, mas da confiança; não do medo, mas da adesão livre.
A legitimidade de um mandato não se mede apenas pela contagem fria das urnas, mas pelo lastro ético que o sustenta. Gabriela Garrido representa uma política que não se ancora em engrenagens partidárias nem em esquemas de reprodução de poder. Sua votação expressa reconhecimento público, respeito à sua trajetória e identificação com suas causas. Isso incomoda porque rompe com a lógica viciada da política tradicional.
Também compartilho integralmente da leitura filosófica apresentada no artigo, ao recorrer ao pensamento de Aristóteles. O bem comum deve prevalecer sobre as facções. Quando a fidelidade a grupos, siglas ou federações se sobrepõe à justiça e às necessidades da cidade, a política se corrompe. A verdadeira lealdade, ensinava o filósofo, é à pólis — à comunidade — e se expressa naquilo que ele chamou de amizade política, uma concórdia construída a partir do compromisso coletivo e não da submissão cega. Defender Vitória da Conquista acima de interesses partidários não é traição; é virtude cívica.
Nesse mesmo sentido, é preciso afirmar com clareza: votar projetos que beneficiam a população não é insubordinação, é fidelidade ao mandato popular. A política não pode ser reduzida a uma guerra de torcidas onde se vota contra o bem da cidade apenas para marcar posição ideológica. Essa lógica do “quanto pior, melhor” é eticamente indefensável. A independência responsável de uma parlamentar que apoia o que é bom para o povo revela compromisso com resultados concretos, não com ressentimentos estéreis.
O artigo também acerta ao estabelecer uma distinção fundamental entre o ativismo da verdade e o ativismo da mentira. Um se ancora em fatos, coerência e serviço público real; o outro vive da distorção, da fabricação de narrativas e do ataque sistemático a quem não se deixa enquadrar. Não se trata aqui de agressões pessoais, mas de um confronto conceitual necessário. A política só se regenera quando a verdade volta a ser seu eixo estruturante.
Por tudo isso, afirmo publicamente minha concordância integral com o conteúdo e com o espírito do artigo de Gilberto Ferreira Luna. Somo-me à defesa de uma política mais humana, mais honesta e mais comprometida com Vitória da Conquista — uma política que não seja refém do ódio, da mentira ou do faccionalismo, mas orientada pela consciência, pela coragem moral e pelo bem comum.
Padre Carlos




