Política e Resenha

ARTIGO – “A Política em Vitória da Conquista Não é Para Amador”

 

 

 

Padre Carlos

A política em Vitória da Conquista não é para amador.
Tem cidade que segue roteiro. Tem cidade que segue manual. E tem Vitória da Conquista, que parece ter nascido justamente para rasgar todos os manuais e jogar os pedaços no vento frio da Serra do Periperi. Aqui, a política desafia lógica, algoritmo, pesquisa de opinião e qualquer tentativa de explicação racional que venha de Brasília, Harvard ou da tal “ciência política” que vive repetindo fórmulas que não funcionam no sertão baiano.

Nada ilustra melhor o cenário político de 2026 no interior da Bahia do que o fenômeno Fabrício Falcão (PCdoB). Em plena disputa pela reeleição, o deputado estadual conseguiu realizar o que nenhum marqueteiro ousaria prometer em contrato: unir, no mesmo palanque, lideranças e vereadores que, em qualquer outro lugar do planeta, estariam trocando farpas, votos e, talvez, até facas. Mas em Conquista não: aqui velhos adversários conseguem dividir o mesmo microfone sem que o mundo político desabe.

Reúne-se nesse arco improvável nomes históricos da direita e da esquerda: Paulinho (PSDB), Ricardo Gordo (PSB), Luciano Gomes (PCdoB), Cris e sua mãe Lúcia Rocha (MDB), Dudé (UB) e Babão (PCdoB). Todos, absolutamente todos, declarando apoio público, sem constrangimento, sem nota de rodapé, sem aquele “mas” envergonhado, à reeleição de um deputado comunista. É o tipo de fotografia que, se mostrada a um analista político do Sudeste, ele jura que é montagem; se mostrada a um petista de Salvador, ele pede exorcismo; se entregada a um político da direita de Itabuna, ele aponta traição. Mas em Conquista isso não só acontece — acontece com naturalidade.

Qual o mistério?
O mistério tem nome, sobrenome e história: Fabrício Falcão. Ele construiu, ao longo de quase vinte anos, um patrimônio político raríssimo no Brasil polarizado de hoje — credibilidade. A reputação dele transcende ideologia, transcende partido e até mesmo interesses imediatos. Em Vitória da Conquista, ninguém está apoiando o PCdoB. Estão apoiando Fabrício. E Fabrício, com sua habilidade política muito acima da média, jamais confundiu cargo com vaidade, tampouco trocou relações pessoais por discursos inflamados. Ele cuida da cidade que o adotou como quem cuida de uma casa: conversando, ouvindo e entregando.

Em Conquista não prospera essa política de “ou 100% comigo ou inimigo declarado” que se tornou moda nacional. Aqui vale mais a velha sabedoria sertaneja: “eu te respeito, tu me respeita; a gente briga na tribuna, mas toma café depois”. Fabrício domina essa engenharia como poucos. Senta-se com o conservador da zona rural e com o sindicalista da CUT, ouve ambos, auxilia ambos, e ninguém sai da reunião se sentindo traído. Não é oportunismo — é inteligência política, é maturidade, é leitura fina da alma conquistense, que rejeita extremismos e abraça o que funciona.

Conquista sempre teve horror a radicalismos, mesmo na era PT o povo votava em Guilherme no homem no Dr. O eleitor daqui não se impressiona com discursos inflamados nem com ideologia de vitrine. Ele quer resultado: asfalto na porta, remédio no posto de saúde, feira barata, emprego para o filho. Quem entrega isso conquista — com perdão do trocadilho — o coração da cidade. E Fabrício entendeu esse recado antes de muitos outros. Enquanto parte da classe política da Bahia se ocupa em lives ideológicas, ele está inaugurando posto de saúde com prefeito de direita, entregando trator ao lado de vereador da direita, abrindo estrada rural com liderança do MST. Na hora do voto, não precisa ameaçar, comprar ou chantagear. Basta lembrar o que foi feito.

É assim que acontece o fenômeno que deixa cientista político boquiaberto: o vereador de direita sobe no palanque do comunista e declara, sem gaguejar: “Eu sou de direita, ele é de esquerda, mas Conquista vem em primeiro lugar”. E a cidade entende. Porque, em Conquista, isso não é contradição. É consequência.

A política desta cidade não perdoa aventureiro. Aqui não basta ter partido, dinheiro ou estrutura. É preciso ter história, ter palavra, ter pele no jogo. E Fabrício tem as três coisas. Por isso consegue promover alianças improváveis sem que ninguém perca a alma no processo. Por isso vira fenômeno eleitoral. Por isso desafia o modelo de polarização que Brasília insiste em empurrar para o Brasil inteiro.

As eleições de 2026 prometem ser um capítulo especial dessa narrativa. Se essa engenharia política funcionar novamente, Vitória da Conquista não estará apenas reelegendo um deputado. Estará dando ao Brasil uma lição que o país insiste em não aprender: política não se faz com gritaria ou com ideologia de boutique — política se faz com relação, com presença, com entrega.

E para quem acha que isso é utopia, basta sentar na Praça Nove de Novembro, pedir um café e observar. Aqui a utopia tem CPF, RG e título de eleitor.
Chama-se Fabrício Falcão.
E funciona.