Política e Resenha

ARTIGO – A Tragédia de Heloiza Gomes e a Dor que se Repete nas Estradas (Padre Carlos)

 

 

m país que convive diariamente com a banalização da morte no trânsito precisa, mais do que notas de pesar, de uma profunda reflexão. A tragédia que tirou a vida da jovem Heloiza Gomes, de apenas 22 anos, em Vitória da Conquista, não é um caso isolado. É o retrato cruel de um sistema viário que ceifa vidas precocemente e deixa famílias em pedaços.

Heloiza estava indo para uma entrevista de emprego, cheia de expectativas, levando consigo sonhos e esperanças que cabiam em toda uma juventude. No entanto, a colisão entre a moto em que estava e um caminhão-pipa pôs fim a esse caminho. Uma morte brutal, instantânea, que ecoa em dor para além da sua família e dos amigos: reverbera em toda a sociedade que se vê novamente diante de um quadro trágico que poderia ter sido evitado.

Quantas Heloizas já não perdemos no asfalto brasileiro? O trânsito, que deveria ser meio de circulação e mobilidade, se transformou em campo de batalha. Vítimas de todas as idades, mas sobretudo jovens, têm suas vidas interrompidas sem aviso. E o que sobra é o luto coletivo, a indignação momentânea e, na maioria das vezes, o esquecimento rápido.

É preciso romper esse ciclo. A morte de Heloiza não pode ser apenas mais uma estatística. O Anel Viário de Vitória da Conquista, palco de inúmeros acidentes, é uma via marcada pela falta de segurança, pelo fluxo intenso de veículos pesados e pela ausência de políticas eficazes de prevenção. Não se trata apenas de culpar condutores, mas de compreender que o problema é estrutural. Falta fiscalização, falta planejamento urbano, falta responsabilidade pública.

Quando uma jovem perde a vida a caminho de uma entrevista de emprego, estamos diante de um símbolo doloroso: a juventude brasileira, cheia de sonhos, é constantemente esmagada pela precariedade, seja no transporte, na saúde, na educação ou na falta de oportunidades. O trânsito, nesse caso, se torna a metáfora perfeita da negligência social que insiste em roubar futuros.

A memória de Heloiza deve nos convocar à responsabilidade. Que a sociedade não se acostume com as sirenes e com as notas de pesar. Que cada morte no trânsito seja um grito de alerta para mudanças reais. Porque, se nada mudar, outras mães continuarão enterrando suas filhas, e outros sonhos serão interrompidos no asfalto quente das nossas cidades.