
(Padre Carlos)
Durante todo o dia, os olhos da nação se voltaram para o Supremo Tribunal Federal. O Brasil assistiu, atento, a um julgamento que entrará para a história: Jair Bolsonaro e sete militares de alta patente sendo acusados de tentativa de golpe contra o Estado Democrático de Direito. O ministro Alexandre de Moraes foi direto e didático: a impunidade não pacificará o país.
A fala ecoou como alerta e esperança. A deputada Alice Portugal, em sua manifestação, deixou claro que sua voz é a voz de milhares de brasileiros e brasileiras que não aceitam retrocessos, que não aceitam o silêncio cúmplice, que não aceitam anistia para quem tentou esfaquear a democracia.
O Procurador-Geral da República, em sua contundente peça acusatória, disse aquilo que ficará registrado nos livros de história: perdoar golpistas é acender o pavio de novas conspirações. Ele lembrou que não é preciso a assinatura do presidente para comprovar a articulação do golpe – a materialidade está provada, nos atos, nas delações, nos acampamentos, nas tentativas de explosão e até mesmo nos planos de assassinato de líderes políticos.
É disso que se trata: o golpe foi desenhado, arquitetado, alimentado por uma máquina de desinformação e ódio. Não venceu, mas quase nos levou ao abismo.
Agora, enquanto no Senado a resistência contra a anistia se fortalece, na Câmara setores da extrema-direita se movem para tentar minar a Justiça. É neste momento que o povo precisa se erguer, ocupar as ruas, as redes sociais, as escolas, para dizer em alto e bom som: anistia, não! Golpe, nunca mais!
Alice tem razão: a voz dela é a voz do Brasil. E o Brasil precisa ser passado a limpo.




