Política e Resenha

ARTIGO – ACM Neto é o Provável Vice de Tarcísio em 2026: Uma Chave de Centro para a Direita Radical

 

(Padre Carlos)

A cena política brasileira vai, aos poucos, revelando seus contornos para as eleições presidenciais de 2026. Entre ensaios, apostas e estratégias, o nome do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, aparece com cada vez mais força como a principal alternativa da direita ao lulismo. O dado mais recente, trazido pela pesquisa Genial/Quaest, mostra o ex-ministro de Bolsonaro empatado tecnicamente com Lula. E esse empate não é apenas estatístico — é simbólico.

Embora a pesquisa deva ser lida com prudência, o fato é que Tarcísio desponta como o nome com maior capacidade de polarização e competitividade dentro da oposição. Ao contrário de outros nomes desgastados pelo tempo, ou comprometidos demais com o bolsonarismo raiz, Tarcísio se apresenta com uma roupagem mais técnica, aparentemente equilibrada, capaz de dialogar com o empresariado, as igrejas, o agronegócio e a direita tradicional.

Dentro desse contexto, a possível escolha de ACM Neto como vice é estratégica — e reveladora. A direita, longe de um projeto unificado, ainda tateia em busca de uma composição que não seja apenas eleitoralmente viável, mas também geograficamente abrangente. O Nordeste é, há décadas, o reduto mais fiel de Lula e do PT. Foi assim em 2006, 2010, 2014, 2018 e 2022. Romper essa hegemonia é fundamental para qualquer pretensão da oposição em 2026. E aí entra o ex-prefeito de Salvador.

ACM Neto representa a direita que fala com sotaque nordestino, que tem pedigree político, mas que também já transita com desenvoltura nas alianças do centro. É liberal nos costumes, pragmático na economia e, sobretudo, alguém que entende a cultura política do seu território. Sua presença na chapa não apenas “nordestiniza” Tarcísio, como sinaliza à direita moderada que o projeto não será exclusivamente comandado pelo bolsonarismo ideológico.

A eventual chapa Tarcísio-ACM Neto representaria, portanto, mais do que um arranjo regional. Ela seria uma tentativa de criar uma síntese entre a direita técnica paulista e a direita tradicional nordestina. Seria uma construção para conter o avanço lulista nas bases populares sem assustar o mercado e as instituições.

A opção por nomes como Michelle Bolsonaro, Zema, Ratinho Jr. ou Ronaldo Caiado criaria uma chapa puro-sangue de ultradireita, com pouca chance de conquistar o eleitor mais ao centro ou penetrar nos redutos do lulismo. Com ACM Neto, o tabuleiro muda de forma.

Mas há riscos. Tarcísio ainda não é testado em uma campanha nacional. Pode se tornar um novo Jânio Quadros, com retórica técnica e fim melancólico, ou um novo João Doria, promissor e depois engolido pelo próprio sistema que tentou manipular. Já ACM Neto precisa mostrar que ainda tem fôlego eleitoral depois da derrota em 2022 na Bahia, num embate simbólico contra o PT.

A movimentação da direita é clara: construir uma alternativa que una força, experiência, regionalismo e moderação. Se Tarcísio mantiver sua intenção de candidatura, e ACM Neto aceitar o chamado, poderemos ter uma disputa presidencial com uma nova roupagem, mas ainda fortemente marcada pelas sombras do bolsonarismo.

No fim das contas, o Brasil de 2026 pode ser decidido por essa aliança improvável: São Paulo e Salvador, técnica e tradição, centro e direita — em busca do voto popular, especialmente aquele que vive e vota abaixo da linha do Equador.